
Você compra duas barras de chocolate nas Lojas Americanas. No caixa, a atendente pergunta e insiste se você não quer levar mais uma pra 'inteirar' dez reais. 'Não, obrigada', respondo. 'Não quer mesmo aproveitar a promoção?', ela insiste. 'Não', repito.
Considerando minha compulsão por chocolate, duas barras é mais do que suficiente. Eu as dividiria com o Henrique, meu filho, de quem às vezes chego a 'roubar' na divisão das barras. Cento e quarenta calorias por dois tabletinhos. E eu como uns 10, no mínimo. Mais calorias que um 'número um' do Mc Donald´s.
Mas as contas da ingestão calórica eu só fiz depois, em casa, quando refletia sobre a estratégia 'estica-empurra' dos atendentes treinados pelo mercado abastecido por consumidores compulsivos como eu (de chocolate, no meu caso).
Antes de ir às Americanas, tinha ido com minha mãe ao Habib´s especialmente pra comer os mini kibes --a melhor invenção da rede, na minha opinião. Simplesmente adoro os tais mini kibes recheados de coalhada e homus.
Estava com vontade dos tais kibinhos há duas semanas e resolvi matar minha vontade ingerindo fritura no lugar de um almoço nutritivo. Pedi cinco kibinhos --um recorde, considerando que meu estômago não deve ser muito maior que um balão de aniversário deixado uns três dias sob o sol. Resumindo: cinco kibinhos me deixam satisfeita o suficiente pra me livrar da vontade de mais uma barra de chocolate.
Como os kibinhos, tomo um suco de limão e peço a conta.
Ensaiadinho, o garçon pergunta: 'não quer mais nada?' E eu: 'não, obrigada'. Mas ele, treinado como um vendedor de filtros Europa, insiste: 'temos uma torta muito boa, a Torta Crocante.
Graças a Deus ele não sabia que essa é minha sobremesa favorita da rede. Penso que ciente dessa informação, certamente ele passaria uns vinte minutos falando da tal torta ou a enfiaria na minha 'guela abaixo'.
Respondo: 'conheço a torta, mas não quero, obrigada' (Jesus, eu havia comido cinco kibinhos!). E ele: 'quer ver nosso cardápio de sobremesas?'. E emendou disparado: 'temos pudim, sorvete....'. Meio azeda, mas sem 'perder la ternura, jamás' respondi-lhe: 'Vocês recebem algum bônus por vender sobremesa? Porque eu realmente não quero NADA'.
Vim pra casa pensando nesse treinamento quase militar a qual esses funcionários são submetidos. "Enfiem-lhe mais comida, venda mais, abusem dos ímpetos consumistas em prol do meu lucro, engordem as novas e velhas gerações".
E em vez de doce, termino meu fim-de-semana com esse texto meio amargo, mas feliz por ter insistido também. No meu 'não, obrigada'.