I have to be leaving. But I won´t let that come between us, ok?
http://www.youtube.com/watch?v=5MV7Sym8bIQ
"the more you know what you want, the less you let things upset you."
Pintadas a mão por Stela, pessoa estranha porém bem-humorada e insistente na tentativa de imprimir cores em seu mundinho cotidiano mas raramente monocromático.
domingo, dezembro 23, 2007
Uma flor pra trazer alegria.
Um dia a tristeza que a morte nos trouxe vai passar.
Por enquanto a gente vai levando, esperando o tempo apaziguar a dor de todos que ficaram por aqui, meio órfãos. Esperando abraços e olhares de consolo daqueles que amamos. Mas, às vezes, o conforto surge de fonte inesperada, de onde menos se imagina.
Ontem ganhei um presente inesperado, deixado na portaria do meu condomínio: uma tela com uma flor e a palavra "alegria".
Obrigada Bruno Magera, artista que eu admiro pela destreza com que usa cores e desenha traços, e pela sensibilidade de trazer o consolo em forma de tela e flor.
terça-feira, dezembro 18, 2007
Só para mulheres (momento 'Capricho')

Difícil mesmo ser mulher. A gente não sabe se deve dizer sim, quando quer dizer sim e finge sentir que não. Ficamos em dúvida em um mar de opções de shampoos diferentes, vestidos diversos e até a maquiagem é pauta para atrasos imperdoáveis. Não sabemos se devemos ligar ou entrar em contato quando queremos. Inventamos desculpas para deslizes alheios (quando a resposta aos nossos devaneios é bem mais simples: 'ele' não está nem aí pra 'você').
Na realidade, no mundo dos homens esse tipo de dúvida praticamente não ocorre --não porque os homens sejam 100% seguros ou invariavelmente práticos! A diferença é outra: eles não desenvolvem teoria, ocupam o tempo livre com esporte, trabalho e até videogame e têm dificuldade pra pensar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Logo, os balõezinhos de suspiros são menos frequentes para eles. E aqui no meu confessionário, admito: morro de inveja dessa praticidade do universo masculino. Tudo parece ser mais simples.
Geralmente tenho sido assim. Mas aí um evento ou outro te envia ao universo 'frágil' das dúvidas femininas e pronto: cá estamos nós (eu ou você, amiga leitora, já que este texto é só para as mulheres) pensando 'neles' e nos porquês dos quais e poréns dos relacionamentos.
Como forma de uma espécie de texto de auto-afirmação, resolvi criar uma série de tópicos com dicas (que ninguém me perguntou, whetever) para as mulheres em dúvida, fruto de anos de meditação e horas gastas com budismo, grupos que rezam mantra e teorias hare krishna --leia-se, nas conversas com a 'guru' Fernanda Margutti:
* Bateu a vontade de ligar para o broto, gato ou afim no dia seguinte? Segure-se. reze o mantra 'eu-não-estou-nem-aí-pra-noite-passada-hare-hare-hare-hama' 100 vezes. E coma um chocolate.
* Meninas: assim com os homens, você também tem mais o que fazer na vida do que pensar neles ou no próximo fim-de-semana. Pense nas coisas óbvias: unhas, cabelos, sobrancelhas e vá evoluindo pras específicas. Eu recomendo leitura: Crime e Castigo, de Dostoievski é uma boa. Aliás, mesmo que você não goste de ler, pense nisso como um investimento. Não faz diferença na balada, mas pense no futuro menina!
* Homens não percebem sutilezas. Seja direta e específica, mas um charminho é fundamental (pelo menos até uma certa idade, para o qual esse texto foi idealizado. Não a minha idade, é claro). Cuidado só para não perder as oportunidades. Como dois chocolates antes dos encontros. E escove os dentes, por favor.
* A questão é universal. Você não liga para quem não está afim, certo? O fato de ser educada com alguém não significa que você quer vê-lo, não é? Por que raios com eles deve ser diferente? Se ele quiser te ligar, vai te ligar. Se estiver interessado em você, vai te ver (nem que tenha que pegar dois ônibus e viajar oito horas pra isso). E se ele sumir por alguns dias, sem responder seu e-mail, não se desespere: ele pode estar sem acesso à internet, ocupado demais, cuidando do canil, da granja, dos pais etc.
Mas se os dias alcançarem o patamar de semana, preocupe-se e desencane em seguida. Só coloque-se no lugar do outro e pense feito 'macho'. E coma chocolate diet (porque a essa altura você já estará com uns quilos a mais)!
* Se você gosta de poesia e Chico Buarque vai, invariavelmente, acabar cansando do seu lutador de vale-tudo. Ou de hapkido, que odeia livros. Encare esses homens da mesma maneira que muitos olham pra você. Diversão, avec elegànce.
* Se gosta de reggae, praia, forró e surfistas não tente se dar bem na FFLCH-USP. Homens com pacote barba, cabelo, bigode e sociologia não lhe serão atraentes ao longo de mais de um fim-de-semana.
* Cuidado com homens do signo de Aquário. Eles são avoados. Amigos e ex-romances provam o fato. Não interessa se você não tem superstição alguma. Essa dica vale ouro. A menos que você seja pacieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente-ente-entinha-inha-inha. E não se importe em consumir 5.000 calorias. Porque você precisará de chocolate.
* Não aceite convites estranhos para cafés com homens supostamente descomprometidos.
Ah, e só pra constar, eu não sigo essas regras. Jogar nunca foi meu acerto.
E que se dane se este texto é futil demais. Todo mundo tem seu momento (de) Capricho, não é?
:D
domingo, outubro 28, 2007
Boas surpresas

Saio de uma semana movida pela energia que só as boas surpresas nos trazem.
A madrugada do último domingo me trouxe alegrias vindas de longe (efêmeras como, decerto, deveriam ser): descubro que gosto de Ludov, ao vivo e no player. Rompo a barreira com Mombojó. Acabo de ouvir o grupo e fiquei interessada, como naqueles processos que um romance surge do nada.
Assumo um novo trabalho, com responsabilidades diversas e algumas burocracias, mas com custo-benefício extremamente positivo. Passo os dois primeiros dias da semana perdida, descobrindo o que o trabalho exige.
Na terça, recebo, ‘de presente’, um lindo texto de uma das pessoas mais adoráveis que já cruzaram minha vida (assunto para mais de mil páginas) e me emociono (www.picbrasil.blogspot.com). Termino o dia com a notícia menos previsível: sou aprovada na prova que havia feito na semana passada. Corro para São Paulo, perco horas e mais horas cantarolando enquanto dirijo no trânsito mais complicado (ao menos até a queda de barreira no túnel Rebouças, no Rio), faço uma entrevista estranha com o orientador indicado, passeio na chuva pelas ruas da Cidade Universitária (mais bonita nesta época do ano). Irrito-me na quinta e sacramento minha TPM na sexta, com a única notícia desagradável da semana (mas incapaz de me tirar a felicidade dos últimos dias).
Fim-de-semana família, que começa com um contato no sábado de manhã me faz sorrir (melhora, Henrique, a gente espera!), ganhamos um CD player para o carro (finalmente!).
pego as crianças da Natália para passarem o sábado e domingo com a gente. Volto a escrever por aqui. E o céu está ainda mais azul, aguardando as visitas que ainda vão chegar (Jú e meninas)
Maior que a blogosfera

O universo da blogosfera é um mar de achismos musicais. Parece não haver assunto melhor para se escrever um ‘post’ –texto, no jargão dos blogueiros (que é mais ou menos qualquer pessoa com acesso à internet hoje em dia).
Pode-se pressupor que tais conjecturas musicais servem menos ao universo que uma pá furada. Sim, ‘pá furada’ já é uma alusão a Los Hermanos, milimetricamente pensada para introduzir o assunto mais senso comum depois das novelas da Globo: a música.
E cá estamos nós, cada um de seu respectivo lado –A ou B--: comigo escrevendo e você lendo mais umas bobagens sobre gostos musicais que não interessam muito ao mundo além de você e eu. Cada vez que ouço John Mayer (aquele nascido em 77 como eu) gosto mais da qualidade de seu trabalho. ‘Any Given Thursday’ é um puta disco e não me interessa se é inovador ou se as cadências lembram, hora ou outra, outro ‘J.’: Jeff Buckley.
Música é isso mesmo, bigger than mine and your body (na segunda apologia do texto). Mayer acerta na composição e nos acordes. E transforma música em mais uma experimentação corporal. Como ele poderia argumentar (mais uma vez usando o tema como referência), nosso corpo é uma wonderland. E não é?
E se o blues dá o tom da sonoridade de Mayer, foi ele quem embalou o sensacional Jeff Buckley nos anos 90. Eu ensaio para escrever algo sobre Buckley desde o ano passado. Nunca me acho suficientemente pesquisada ou apta para falar sobre ele.
'Grace' –o primeiro e único álbum lançado ‘em vida por Buckley— nasceu para ser degustado, assim como o póstumo “Sketches for My Sweetheart the Drunk”. Sim, Jeff deve ser tateado, lambido, retorcido. Penso como a trilha caberia bem para um encontro a dois. Porque Jeff soava muito sexy (não só pela sonoridade) ao mesmo tempo em que era provocador, melancólico.
Se Justin Timberlake acha que tem algum sex appeal ou se suas músicas provocam arrepio, deveria ir comer um prato de ‘feijão com arroz’ (ou para regionalizar, uma american pie) na referência buckleyniana: imprevista, densa e leve: tudo ao mesmo tempo.
Mais sobre Buckley: http://pinguimazul.wordpress.com/category/jeff-buckley/
http://www.youtube.com/watch?v=hm8JoMhgjRw
sábado, outubro 27, 2007
quinta-feira, outubro 25, 2007
Aquilo que realmente importa

A regra não tem exceção. Vivemos a maior parte de nossas vidas proferindo explicações sobre o que pensamos, quem somos, justificando-nos e pleiteando –de 'x' salada à amor, aumento de salário, folga nos feriados. Ninguém se livra dessas formalidades. A cada primeiro contato é quase inevitável cumprir a etapa da apresentação do currículo ao interlocutor. Perguntas senso comum como 'o que você faz?, quantos anos têm?' e até a famigerada 'qual signo é o seu?' são praticamente onipresentes nos primeiros diálogos. E diante do questionário 'clichê, aqui estamos nós' perdemos a chance de conhecer informações vitais capazes de apontar aquilo que realmente importa: pequenas coisas, sempre as pequenas coisas.
O diálogo perfeito do primeiro encontro pode ter várias dissonâncias e poucas consoantes. Poderia começar com um 'oi', um 'olá', um 'tudo bem' (não sou radical). A abordagem pode, de fato, determinar o futuro de uma relação (entre duas pessoas ou mais), mas o conteúdo subseqüente é tão importante como o início ou o fim.
Diante desse mundo inundado de convencionalidades, forjei (sem ferro ou fogo) perguntas, conjecturas ou afirmações diversas que gostaria de alimentar em um primeiro encontro. Que deve, como disse, ser regado com pequenas coisas, aquelas que realmente importam. Para dispensar a forma protocolar do início ou do fim, começo pelo meio (sempre a melhor parte em qualquer história). A seguir, os exemplos.
Você prefere caldo de cana na feira ou pamonha na beira de estrada?
Uma das primeiras lembranças da minha infância é a do azulejo branco e do piso vermelho do banheiro da casa onde vivia. Havia algo de especial naquela composição, uma sintonia quase poética na disposição dos ladrilhos. Também gosto de lembrar da estante de livros na casa de um casal amigos dos meus pais e de como era especialmente divertido andar de velotrol.
Gostaria de andar de bicicleta comigo?
Eu gosto do cheiro da casa da minha avó. E do jeito que ela arruma o cabelo com aquele pentinho curto, que os homens costumavam levar nos bolsos traseiros.
Você ainda lambe a tampa do Danete?
Quando eu abraço as pessoas eu sinto como se eu pudesse inspirá-las e depois voltar a ser eu mesma. Neste momento, eu me sinto como se pudesse lembrar-me, com elas, das imagens que lhe vêm à cabeça.
Estou sempre sentindo algo grandioso pela vida. E confesso, já li Paulo Coelho.
Importa-se se eu tocar a ponta dos seus dedos da mão?
Posso me sentar aqui e ficar até o alvorecer. Eu também estou disposta a compartilhar a alvorada. E ver a luz elevandp-se no horizonte até chegar a 45 graus, aqui, ao seu lado.
quarta-feira, setembro 26, 2007
quarta-feira, agosto 29, 2007
Processos
quinta-feira, agosto 23, 2007
A grande diferença

Sempre confundem. Então aí a explicação desprovida de conteúdo acadêmico. Recorro ao Aurélião pesado.
Sentimental (verbo): sensível, que se deixa comover com facilidade.
Trata-se de definição afeta aos sentidos. Todos. Inclui a contemplação dos dias ensolarados. Dos cinzentos, tão belos quanto outros (se fosse o contrário, porque fotografariam em preto e branco?). Da cor da chama da vela. Do cheiro de terra úmida. De boca beijada. De fruta recém-colhida. Sorriso de criança. Gargalhada de adulto. Tato. Audição. Música boa me faz chorar. Ruim também. De tomar chá quentinho antes de dormir. Noz moscada, canela e cravo. Jasmim e flor de pitanga causam-me arrepios. Estar vivo me faz sentir. E nem sou tão piegas assim...
O adjetivo feminino é sentimentalona. Pretendo incorporá-lo ao meu sobrenome.
Cacos

Sou um ser fragmentado. Formei-me a partir da poeira dos transeuntes da minha vida. Dela, nasci. - "Foi como fiquei assim," justifico ao ser questionada sobre minha identidade. Os cacos justificam minha aparência dissoluta e até as imperfeições da minha pele. Cada partícula do meu corpo abriga essa poeira. E eu respiro-a, gratificada.
Hoje veio-me às narinas o cheiro da poeira dos seus livros. Imediatamente, a sinestesia promoveu um encontro absurdo entre olfato e paladar. Lembrei de seu gosto e, em seguida, os sentidos ampliaram-se para um déjà vu visual e pude ver as cores mal pintadas em seu braço. Vi seus olhos e não pude identificar a cor. Castanhos esverdeados? Tanto faz. A poeira dissipou-se e voltou ao seu abrigo original: meu corpo.
segunda-feira, agosto 20, 2007
Horizontal
Todas Amelies do Mundo

De longe tenho a intenção de ser a porta-voz da alma feminina.
Falo de mim e, se quiserem, tomem por base todas as mulheres restantes no mundo.
Faço parte de um grupo batizado pelo meu egocentrismo de "Todas as Amélies do Mundo".
É como me sinto boa parte do tempo.
Não tenho a delicadeza de Audrey Tatou que imortalizou a personagem a ponto de não conseguir se desvencilhar da pobre (ou abençoada, depende do ponto de vista), Amélie Poulain.
Tenho uma legião de amigas que amam o filme. Minha teoria é simples. Para nós, mulheres (merda, virei a suposta porta-voz de novo), o amor de Amélie e Nino Quincampoix é extra-sensorial. Inocente. Quase infantil. Mesmo a cena onde eles finalmente se tocam é sublime. O desejo é parte do amor e não o ponto de partida.
Ela o quer pela identificação. Porque ele é como ela. Embora trabalhe numa sex shop ele, em certo momento, ignora toda a sexualidade explícita em contemplação de uma paixão por alguém cujos contornos são desconhecidos.
Todas queremos sexo, isso é fato. Mas queremos os suspiros de Amélie e Nino também. >Queremos pele, mas queremos alma. Queremos ser insustentavelmente leves.
Quem não quer ser alvo de um amor como o idealizado por Rodrigo Amarante na estrofe da belíssima .... . "(...) E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei (...) E se o caso for de ir a praia eu levo essa casa numa sacola...". (Tanta delicateza faz com que muitas acabem querendo o próprio Amarante).
Pedir um pouco desse tipo de romantismo é ser sentimental demais? Preciso então mudar minhas preferências literárias e cinematográficas. Daqui saio para a locadora onde alugarei 'Duro de Matar'.
domingo, agosto 05, 2007
Cinco temas e 12 notas.

Por Elvis Costello
Para compor canções, há uns cinco assuntos: eu deixei você; você me deixou; eu quero você; você não me quer; acredito em alguma coisa. Cinco temas e doze notas.
Nas canções de John Lennon, as pessoas tendem a destacar os versos que soam como epitáfios ou cartões de felicitação. É muito esquisito passar de carro no aeroporto de Liverpool e ver o logotipo com os desenhos dele e as palavras: “Acima de nós, só o céu”. O céu está cheio de aviões! Mas, no fim, todo mundo acaba virando estamparia de toalha de mesa produzida em massa.
Costello, Elvis. In: O que aprendi (pag 61),revista Piauí_10, ano 1_julho 2007
Drops: http://www.americanrhetoric.com/MovieSpeeches/moviespeechastreetcarnameddesire.html
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