sexta-feira, janeiro 23, 2009

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Escolhas




Acendeu um cigarro e olhou à direita para fitar a paisagem. Mesmo nesses dias cinzentos, o verde vale que começava do outro lado da rua mostrava-se extremamente vibrante. Era verão e as chuvas fortes que castigavam outras regiões da cidade não abalavam as árvores do outro lado da rua. E mesmo as de copa menos farta pareciam passar incólumes aos raios das tempestades que atingiam diariamente essas bandas de cá.

De pernas cruzadas, ela balançava o pé esquerdo apressadamente. Tique habitual a qualquer ansioso sem ansiolíticos. Olhou novamente para o horizonte delineado pelas montanhas, mas a imagem ficara turva em função das gotas da chuva que se tornava mais espessa e atingia o vidro do Café onde ela o esperava.
Abaixou os olhos e quando olhou novamente pela vidraça viu-o entrando pela porta de madeira. Sorriram. Ele se curvara para beijá-la no rosto. Antes mesmo que acomodasse na cadeira pesada de madeira a frente dela, fora indagado de súbito, sem um 'boa tarde' ou outras formalidades usadas para introduzir qualquer conversa.

- Eu sou 'escolhível'?
- 'Escolhível'?, respondeu ele com o sorriso largo que lhe faziam sumir a cor dos olhos azuis, estranhando não só a pergunta, mas por imaginar uma mistura de escolha e sofrível.
- É, você me escolheria?

A dúvida pairava em sua mente há dias desde o momento em que ele revelara sua indisposição para batalhas amorosas. "Nunca escolho quem eu quero, sempre sou escolhido por uma terceira pessoa, que não me interessava em princípio".
A declaração passara em branco no momento da conversa anterior, mas depois soava como um desafio. "As mulheres sempre escolhem. Invariavelmente", havia dito quando o assunto veio à tona na primeira vez.
Mas, posteriormente, uma série de motivos lhe causou o incômodo comparável aquele deixado pelo refluxo gástrico na garganta. Não por ele, mas por ela mesma. A afirmação daquele homem abalara algo aparentemente sólido nela. Passou horas pensando nos seus relacionamentos –os mais revelantes, pelo menos— na tentativa de decifrar em qual grupo de pessoas estava. Caça ou caçadores. Escolhidos (que ela preferia pensar como ‘escolhíveis’, mesmo contrariando a gramática formal) ou selecionadores?

Sim, havia sido eleita algumas vezes. Poucas, comparadas ao "sempre sou escolhido" proferido por aquele homem. Em geral, dela partiam os primeiros olhares e mesmo quando seu interlocutor pensava estar à frente da iniciativa (e partir para o primeiro toque físico) era ela quem o chamava para si, “talvez pela força do pensamento”, como costumava pensar.

Mas o maior incômodo advinha de uma constatação tida 'a posteriori' naquela conversa. Ela descobriu que o achava com “alto potencial para escolha”, pela sua companhia agradável e perspicácia.
Ela começava a gostar de coisas singelas nele, como a forma de seus dentes mais pontiagudos e não necessariamente alinhados –mais evidentes quando sorria.
Às vezes, ele parecia um menino pelo conjunto de sua gestualidade aliado a sua brincadeira com a fonética --trocadilhos ora literatos, ora infantis.
Gostava de sua pele pintada das mãos ao pescoço e do constrate do cachecol preto com seus cabelos vermelhos. Ele tinha um jeito bonito de encostar no carro, embora fosse menos elegante ao fumar do que pressupunha. Todos esses fatores transformavam-no em um ser 'escolhível', pensava. E chegara a essa conclusão apenas depois de racionalizar a incômoda conversa inicial. Por isso mesmo clamava em descobrir se reunia fatores capazes de colocá-la no mesmo grupo: o dos 'escolhíveis'.

Uma lembrança recente interrompeu o fluxo de pensamento que a levava para fora de si, perto dele. No Natal havia recebido um beijo surpresa de outra pessoa.
Acolheu, por alguns segundos e meio envergonhada, a boca macia, quente e úmida de Cabernet Sauvignon daquele que a tinha escolhido. Nunca tinha pensado em beijá-lo antes, desde que se tornaram amigos, mas a estranheza foi substituída por um sentimento curioso, de cumplicidade e segredo, muito embora tal fato não precisasse ser calado. Não fora o início de um romance, nem o fim de uma amizade. Fora algo físico, tanto que ela levara os dedos indicador e médio aos lábios depois do ocorrido e fechara os olhos por um tempo até maior do que o tempo pelo qual as línguas se tocaram. Precisava tocar-se para ter certeza da realização. Fora como a sensação do primeiro beijo, pensou.

Mas as festas de fim de ano já haviam passado e a boca que estava a sua frente não era a mesma do toque inesperado e os olhos ali não eram verdes, mas azuis. O mesmo azul quase oculto pelo movimento dos músculos da sua face provocado pelo sorriso ao ser questionado.

Uma enxurrada de pensamentos surgiam enquanto ela esperava as palavras dele brotarem, mas sua história recente -passada em frames tão rápidos na sua memória quanto inserções subliminares de filmes- tivessem lhe trazido uma autoresposta.
“Todo mundo é ‘escolhível’, independentemente de reciprocidade”, ela concluíra em pensamento. Sorriu e acendeu um novo cigarro. Lá fora, a chuva continuava a atingir o verde vale.

Stela, sob licença poética. Porque nem tudo que é autobiográfico é biografia.



Reprodução do Digestivo Cultural de hoje (http://www.digestivocultural.com.br/)

"Ame-me para sempre. Só não engorde, me aborreça ou envelheça."

Hugh MacLeod, o cartunista global da internet, mais uma vez (via @eduacarvalho).

Julio Daio Borges
2/1/2009 à 00h30

Polaroid




Quando menina, insistia em piscar os olhos com força cada vez que via uma cena merecedora de ser registrada na memória. Era como se o ato físico do piscar conseguisse produzir na retina uma fotografia do momento e, assim, não descartar da memória a felicidade do instante.

Meu sonho, à época, era uma Polaroid –nome da marca, mas que servia pra denominar aquelas máquinas cujas imagens saíam instantaneamente, com a clássica borda branca (um luxo para poucos nos anos 80).

Tinha medo de perder aquelas pequenas peças de felicidade. Achava que as boas coisas da infância ficariam esquecidas um dia –motivo pelo qual eu atribuía a cara sisuda e preocupada dos adultos. “Não se lembram de como foram felizes quando pequenos. Prometo a mim mesma que não vou me esquecer”.

Não queria deixar apagar dias como o que passei com minha família no Horto Florestal, em Campos do Jordão, quando brinquei com os girinos à beira do lago. Queria me lembrar das guerras de mamonas e das amoras que roubava no quintal numa viela barrenta, perto da minha casa. Gostava dos azulejos azuis da cozinha e de dormir de barriga pra cima no quintal, com meu gato ('Fofão', preto, peludo e cego de um olho) debruçado sobre mim e acompanhando o vai e vem da minha caixa toráxica. Eu não era necessariamente feliz naquele período, mas havia uma plasticidade naquela cena da qual me lembro com perfeição. Havia beleza mesmo nos dias tristes, assim como há uma singeleza incomparável nos dias cinzentos de garoa.

Talvez tenha sido naquela época, quando eu tinha menos de oito anos de idade, que comecei a pensar que os dias de chuva, e não os de sol, deveriam ditar a fotografia de todos os encontros interessante do cinema. Uma vez assistira fragmentos de 'Casablanca' e fiquei com aquela emoção produzida pela imagem da chuva no filme. Apertando minhas pálpebras, fotografei na memória aquele instante, talvez o dia em que o amor romântico, mesmo em preto e branco, começara a fazer sentido pra mim.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Fundamental é mesmo.





Ser solteiro não significa ser só. Gosto de chegar em casa, tirar os sapatos e não lavar a louça na pia há dois dias. De ir ao cinema e passear pela beira do rio sem nenhum acompanhante. A diferença é se o verbo está ou não no condicional.
Deve-se querer fazer essas coisas sem um par. Do contrário, teremos a solidão.
Hoje senti um pouco dela. Queria alguém pra ir comigo ao cinema, mas todos os meus amigos que topariam o referido filme comigo estão viajando ou ocupados.
Aproveitei para tentar visitar um casal de amigos. Não rolou. Estou feliz porque continuarei no trabalho em 2009, o que era uma incógnita a todos servidores em cargos de comissão após as eleições municipais. Queria compartilhar com alguém meu entusiasmo. 2009 soava-me desafiador, com novo chefe e a qualificação do mestrado já em maio. Agora, com a definição do meu trabalho, estava mais tranquila, mas ainda sem ninguém pra comemorar (o Henrique ficara na casa do pai). Também ganhei um lenço lindo de presente da estagiária que trabalha comigo. Aparentemente pequenas coisas, mas grandes o suficiente para me render uma festa interna.
Por essas e outras me senti extraordinariamente solitária durante algumas horas.
Substitui a melancolia por rever um filme de tema tão piegas que prefiro o original, em inglês: The Holiday. Eu já havia visto e então não haveria más surpresas: sucesso garantido aqui em casa! Pensei: ver o Jude Law caindo de amores por uma tresloucada insensível seria uma boa. Abri algumas cervejas. Ri e quase chorei com a Kate Winslet --que, ao lado do Jude (para íntimas), está no meu top five de celebridades hollywoodianas favoritas.
Comi um pacote de amendoim. E, confesso, cheguei a dar gritinhos com a "atuação" apaixonante de Mr. Law.
Liguei pra um amigo só pra dizer que ele parecia o Jack Black --uma revelação pra mim aquela hora da noite. Liguei pra minha amiga só pra saber como estavam as coisas em Floripa na noite de hoje.
Vou ouvir Yo La Tengo e ler um quadrinho da Mojo Books (www.mojobooks.com.br) sobre os Beatles que baixei hoje (oficialmente!) de graça do site, graças a matéria publicada nessa data na Ilustrada. Termino o texto no meu notebook cuja última parcela eu pagarei amanhã (viva!).
Tenho que discordar de Vinícius. Fundamental são tantas coisas além do amor. Engraçado mesmo é se sentir feliz sozinho. Como eu termino essa noite.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Luz e sombras



Museu de Antropologia do Vale do Paraíba (MAV), captado por mim em uma dessas noites de dezembro.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Bumerangue

E um dia você vai amar alguém de novo.
Pode não ser pra sempre.
Nem a última vez.
Pode ser um dia. Um mês. Um ano. Dez.
Pode ser por 15 minutos.
Talvez, logo em seguida, você ame um outro alguém.
Ou provavelmente, não ame ninguém por um bom tempo.
É pouco provável, mas ocorre de você nem sofrer.
Na maioria das vezes, é possível que você sinta dor comparável à morte de outrem.
Ou sinta-se leve, sabendo que seu amor foi compartilhado pra aquele ‘quem’.
Mas indubitavelmente, você irá amar alguém de novo.
Um velho amor ou algum novo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Um ano sem Davi

Em oito anos de trabalho em jornal diário –sofrendo a pressão do fechamento e o efeito do pôr-do-sol, quando todo trabalho precisa ser concluído no mesmo dia— nunca fora tão difícil noticiar um fato quanto o que tive que relatar há quase um ano, em 19 de dezembro de 2007.

Naquela madrugada, morria aos 53 anos, o vice-prefeito e secretário de Infra-Estrutura de Jacareí, Davi Monteiro Lino. Escrevi um comunicado para ser colocado nas portas da repartição pública onde trabalho na Assessoria de Comunicação. Poucas linhas e muita dor.

Meu contato com Davi começou em 2001, quando ele assumiu a presidência do SAAE e depois, a Secretaria de Meio Ambiente. Atuava como repórter e nossa primeira entrevista foi carregada de tensão. Era um contato extremamente profissional e confesso não ter, à época, nenhuma simpatia pelo Davi e receber, aparentemente, o mesmo em troca.

Ao longo dos anos, nosso contato foi ficando mais intenso por causa do trabalho no jornal e a mente brilhante de Davi foi me seduzindo pela racionalidade, lógica e maestria. A gente começou a gostar um do outro (grande parte porque tínhamos um elo: uma grande amiga em comum, que fazia o lobby positivo para ambos os lados).

Em 2007, quando fui chamada para trabalhar na Prefeitura de Jacareí, deram-me a 'missão' de assessorá-lo. Nem sempre era fácil acompanhar seus horários puxados, mas era invariavelmente bom o contato permanente com o 'Gordinho', como era chamado pelos colegas.

Engenheiro químico, ele parecia conhecer a cidade como poucos. Foi, como outros, 'braço direito' do prefeito Marco Aurélio durante sete anos de mandato. Era vaidoso com seus feitos e costumava me dizer: "não há um canto dessa cidade que não tenha um dedo meu". Podia parecer arrogância? Sim. Mas era uma verdade absoluta.

Orgulhava-se de ter estudado na Poli-USP. Era influente e admirado mesmo fora do partido ou coligação. Davi podia parecer autoritário. Pragmático, pra ser mais exata. Mas tinha um coração mole, molenga mesmo. Babava de amores pela mulher, Vera, o filho Gabriel e pelo time do coração, o São Paulo Futebol Clube. Preocupava-se com os outros e pouco tempo antes de morrer veio me perguntar se eu estava melhor da crise de bronquite. E emendou com tom partenal: "não pode nem ficar por aí e sair à noite!".

Às vezes inventava às 17h de sair para ver obra. E dizia: "você tem que sair da redação, ver o que estamos fazendo". Eu retrucava: "eu sei, Davi. Você também tem que ler o que escrevo!".

Confessou-me, lá pelo mês de novembro de 2007, que conseguiria 'esticar' a avenida central (inaugurada no último sábado pelo prefeito Marco Aurélio de Souza e batizada como engenheiro Davi Monteiro Lino). E eu: "como, Davi?". Ele, sorrindo e todo orgulhoso: "você vai ver, menina".

Aliás, era de 'menina' e 'menino' que chamava muita gente --e desse por satisfeito por esse tratamento: indicava um carinho que muita gente não conseguia notar naquela postura quase taurina que ostentava.

Também dava apelidos para as pessoas. Eu comecei a ser chamada de "Carminha", porque, segundo ele, eu não lhe dava sossego. Com o tempo apelidou-me de 'bicho-grilo', só por causa da minha coleção de All Star e colarzinhos coloridos. Tentei lhe explicar que All Star estava mais pra hype (os moderninhos de hoje) do que para hippie. "Ah, bicho-grilo é coisa da sua época", eu brincava.

Há quase um ano, cada amigo de Davi perdeu seu 'oráculo'. A cidade, um líder especial. E até o tempo pareceu sentir isso, com a chuva inesperada que atingiu a cidade no dia de sua morte.

No último contato pessoal, ele me disse: "ô, bicho-grilo. Por que não me liga mais? Estou com saudades!". E eu: "também já estou". Vai ser difícil deixar de senti-la.

Stela Guimarães, jornalista em Jacareí

domingo, dezembro 14, 2008

Caos



Meu processo criativo é caótico. Anotações que se perdem pra todo lado. Um brainstorm quase intermitente de idéias. Caos.

Aos poucos, minha pesquisa vai tomando seu rumo e a hipótese inicial amadurece, ganha contornos mesmo diante desse ambiente caótico (a 'biota', nesse caso, é minha própria mente).

A euforia atrapalha o ordenamento narrativo necessário para o ensaio que devo entregar na sexta-feira. Poderia ser o suficiente para me tirar do rumo, mas estranhamente sou tomada por uma sensação de tranquilidade: estou onde queria estar, fazendo aquilo que gosto de fazer, pesquisar.

É sábado à noite e eu estou aqui, gestando mais uma vez. Cada trabalho acadêmico é como um filho prester a nascer.

Carnaval é euforia e caos. Não poderia haver tema mais pertinente para uma mestranda como eu.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Porque só quero me lembrar de coisas boas



Já que as más eu nem consigo lembrar, vale uma lista de coisas que me fizeram feliz em 2008:

Começar o mestrado
Ser mãe do Henrique (sempre!)
As aulas do Mauro Wilton
Carnaval com queridos em São Luiz
Quartas-feiras de Milo com o Gui e a Pri
Passeios com o Pedro
O Waldenyr lançar novo livro
O Elton voltar de Cuiabá
O César ser meu companheiro de estrada
Bate-papos em São Luiz do Paraitinga --e a família Campos
Férias em Ilhabela
Conhecer gente querida na sala de aula: Mari, Pri, Dani Mã, Biba, Mayra, Cláudio, Rodrigo, Yuri e o Massimo. Ou fora dela: Gabi e Rafa.
Internet livre em Jacareí
Estudar cinema com a Esther Hamburguer
Ter nota A nos trabalhos do primeiro semestre
Escrever sobre o Nintendo Wii
Viagem a Curitiba
Inauguração do Parque Central na cidade
Virada Cultural em São Paulo
A Prik e o Cauê oficializarem o namoro após mais de um ano de affair
A Jose planejando casar
Vitória do Hamilton, prefeito
Amigas de infância e outras queridas tornando-se mães (Luciene, Andressa, Cynthia, Tânara, Juju, Sheila, Pri, Kelly)
Visita da Esther e da Lu em casa
Encontrar o Keiny em São Paulo
Participar do seminário "Mutações, a Condição Humana", com status de pós pela UFRJ
A Feira do Livro da USP
Halloween com a Tati, Estela, Célio e a Gi no Café
A Renatinha voltar ao nosso convívio
O novo livro do Slavoj Zizek
Ver a palestra do Slavoj Zizek no Sesc Vila Mariana e conseguir entender tudo sem tradução
Wall-E!
O livro sobre Carnaval do Felipe Ferreira
Trabalhar com a Penélope e o Thiago
Achar tanta coisa legal e barata no brechó
A loja Pink Bijú (rs)
O Gabriel da Lú sair do hospital
Ficar mais com a Dé e as meninas em São Paulo
Organizar o Dia da Água com a Andréia Francomano e Sandra
Soltar 19 mil peixes na represa do Jaguari
Falar com a Fer pelo Nextel
Receber André, Fer, Fer, Gui, Monique e Andréia para o meu aniversário
'Aprender' a dirigir na região de Pinheiros
O filme Control e Divina com o Gui
Almoços na represa
Festa surpresa no meu aniversário na casa do Eduardo (rever Felipe, Priscila e o resto da família Andrade)
Burgo beer com o Lino e a Cibele
Rever a Marpessa e conhecer a Gi no mesmo dia
Praia com a Mirian, Cassi, Felipe e Diogo
Festa de aniversário brega com amigos queridos
A exposição do César
Rever os 90´s no The Doors Cover
Domingos de sol em Jambeiro
O Henrique alfabetizado e leitor assíduo de quadrinhos e jornais
Quase comer a areia do Saara do Henrique Avari por engano
Pastel de angú em São Luiz
Baladinha com Pri e Fer
O Fá reencontrar o amor
Conhecer a (Mari)Stela
Noites de roquenrol no Hocus Pocus (SJC) e Divina Comédia (Mogi)
Passar mais tempo com amigos de infância (Diogo e Filipe)
Descobrir, a posteriori, que o Meteoro tinha piercing
Fotografar o Seamus
Ir a dois shows do Lenine
Viajar, sair e passear sozinha
Viajar, sair e passear com amigos e Henrique
Reencontrar o André Bergamo

Efeitos colaterais

O número de postagens nesse ano confirma: indiscutivelmente, escrevi menos do que os anos anteriores, mas li mais que todos os anos já passados. Não me faltam idéias publicar. Falta-me é motivação e coragem de recomeçar aqui. Talvez porque em 2008 minha vida tenha sido mais colorida naturalmente do que o turbulento 2007. E não é só a minha cidade que entrará no ano seguinte com a continuidade do governo cuja bandeira é vermelha. É com essa cor que meu ano vai findando.

=)

sexta-feira, agosto 15, 2008



"qualquer curva de qualquer destino que desfaça o curso de qualquer certeza"

Qualquer, Arnaldo Antunes

segunda-feira, agosto 04, 2008

Pérolas com Vanilla?

Tenho algumas manias sazonais. Parece coisa de gente velha, mas a diferença está na durabilidade do troço: mas vistas de longe, parecem manias daquelas que nascem com a gente e ficam até a morte. Uma delas é colocar noz moscada na comida (em doses homeopáticas, porque meu amigo Cauê revelou-me que a sementinha é alucinógena e não quero ninguém enxergando duendes por conta da minha comida).Essa eu adquiri há uns três anos: a mais perpétua dentre todas.

No momento vivo um romance com um hidratante vagabundinho, porém cheiroso, de uma marca bonitinha, mas ordinária: Vive (*). Virou uma espécie de obsessão usá-lo a todo momento. Ele fica do lado do monitor do meu micro e basta eu olhar pr´aquele frasquinho que já me pego usando o tal creminho.

Como você, eu também sou regida pela ditadura do consumo. E as empresas de coméstico acertam cada vez mais. O segredo do tal hidratante: o cheirinho do Pérolas com Vanilla é quase idêntico ao do Vanilla Amber da Victoria Secret. E a embalagem é pequena, charmosinha: com 60 ml, cabe na bolsa e até no bolso: três reais pra dez minutos de cheiro bom (é, ele não dura muita coisa).

Agora, convenhamos: Pérolas com Vanilla! Que droga é essa de nome? Mania de dar aquela americanada em tudo (e a gente cai nesse conto! What the hell). Que pérolas podem ter na composição de um hidratante vendido a três reais? E eu por acaso fiquei perolada por usá-lo? E por que não nomear o perfume do negócio de 'baunilha' em vez de 'Vanilla' (já repararam que a indústria coméstica não usa a palavra baunilha, mas sempre vanilla? Será que porque baunilha remeta diretamente à essência do meu bolinho de chuva? Mas pra mim vanilla é pior: me lembra aquela figura oitentista cantando'ice, ice baby').

Tá explicado porque minhas manias de consumidora são sazonais. Quando paro, presto atenção e racionalizo o processo, logo parto pra prateleira ao lado na perfumaria. Pra mais alguma coisa cheirosinha, compacta e barata: seduzida direitinho pelo mercado que venho à público criticar.


(*) Fabricada em Mogi das Cruzes, aqui do ladinho. Aliás, minha relação de amor com essa cidade vai longe: da faculdade a amiga Gigi, passando pelas bandas Mentecapto e Motocontínuo, boas de fato.

sábado, agosto 02, 2008

Despretensioso



Porque todo mundo fica piegas quando se apaixona.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Artificialmente coloridas

Caco Galhardo sabe das coisas.




Publicada hoje na Ilustrada.