Pintadas a mão por Stela, pessoa estranha porém bem-humorada e insistente na tentativa de imprimir cores em seu mundinho cotidiano mas raramente monocromático.
terça-feira, julho 06, 2010
terça-feira, junho 08, 2010
Coisas boas de Foz.
Fiquei me sentindo meio mal por só dizer as coisas intrigantes/irritantes dessa nova terra que me abriga. Por isso, resolvi elencar muito brevemente e sem o mesmo fervor do post anterior, as coisas legais de Foz. Itaipu não conta porque se eu falar bem, vão achar que é como advogando legislando em causa própria. Então suprimi da lista a usina, o Parque da Piracema, os engenheiros e o pessoal da segurança simpáticos e também meus colegas de trabalho.
1# Cataratas do Iguaçu. E não tem pra nenhuma outra.
2# Puerto Iguazu plus empanadas
3# Shawarma
4# Avenida Paraná
15# Compras no Paraguai
16# Tv multilíngue sem assinatura (e não é a tevê a gato. São os canais abertos do Paraguai, que me divertem bastante)
Mistérios da Tríplice Fronteira
De tempos em tempos fico com muita preguiça de escrever no blog. Pra ser sincera, o que me vêm à mente é: por que raios você está lendo isso agora, com tanta coisa melhor pra fazer, mesmo na internet (palavra que o Word do meu computador insiste em corrigir para inicial em maiúscula)?
Eu até tenho um ímpeto de escrever, mas o gasto todo no trabalho. Porém, como têm havido algumas coisas intrigantes nesses últimos dias, sinto-me com um impulso incontrolável para compartilhar essas indagações ou experiências com seja-lá-quem-você-for.
Mistério número 1: os cortes de cabelo femininos em Foz do Iguaçu (ou, a ausência das tesouras nos salões)

Este é o top of the pops das coisas mais intrigantes. Nos anos 90, quando eu era adolescente (pois é, estou ficando velha), era comum as meninas terem cabelos extremamente longos. Se você era um bebê nessa época ou já tinha passado dos 40, provavelmente não tenha reparado neste fenômeno capilar. Essa onda dos cabelos levaram-me a ter mais de 60 centímetros não-lineares de cabelos que ultrapassavam a linha da cintura, delineada pelas calças de cós alto (um novo ‘must’ da temporada, para desespero da minha visão).
Os anos 90 passaram, as tesouras ficaram mais agressivas e mesmo os cabelos compridos encolheram.
Não tenho nada contra cabelos compridos, que fique claro. Eu prefiro os mais curtos, mas se você é um entusiasta dos cabelões – e para isso basta ser homem, em geral --, ok.
Ocorre que em Foz do Iguaçu os supercabelos são uma constante na paisagem. Não basta ser comprido. Tem que ser ultracomprido.
Fico me indagando se as mulheres daqui têm poderes místicos pelas madeiras tão extensas. Seria uma tradição da tríplice fronteira? Ou os cabelos de 70% da população feminina mundial cresceu dessa forma desde que cheguei à Terra das Cataratas, há pouco mais de dois meses, menos o meu (cortado pelas minhas próprias scissor hands na semana passada, aliás)? Fica o meu questionamento.
Mistério número 2: sobrancelhas de henna?

Ainda no campo estético feminino, a segunda indagação é sobre as sobrancelhas finalmente delineadas de grande parte da mulherada destas bandas. Perdoem-me pela ignorância, mas isso são as chamadas sobrancelhas de henna? Confesso ficar em dúvida se é sobrancelha ou maquiagem definitiva (explicação aos homens: nome dado para as tatuagens que imitam maquiagens. Você pode saber o que é se for à praia e verificar mulheres com olhos pintados na pálpebra às 7h da matina, por exemplo. Ninguém vai maquiada à praia nessa hora, a não ser que seja por esse procedimento irreversível).
Também admito que minha curiosidade é para um possível uso próprio, se o bom senso me faltar. Minhas sobrancelhas têm umas falhas anatômicas e, talvez, a henna fosse a solução para este ‘problema’. Mas é que já vi tanto sobrancelhas pintadas e bonitas quanto umas coisas beeeem, beeeeeeem, beeeeeeeeem medonhas. Devo provar?
Mistério número 3: a falta de educação (de grande parte) dos meus vizinhos.

Okay, Foz do Iguaçu não é uma dimensão X de pessoas sem noção e nem me crucifiquem por isso. Tem gente bacana por aqui. Não vou arriscar uma contagem senão eu poderia ser crucificada mesmo pelas minhas gerações futuras que podem vir a nascer aqui e, eventualmente, pesquisem a vovó Stela no Google 3.0.
Noutro dia, um dos meus vizinhos chegou a abrir a porta do elevador, olhar para mim e meu filho, e fechar de novo. Como ele estava no subsolo máximo, deduzo que ele não desistiu de subir por outro motivo a não ser o fato do elevador estar ocupado. Quem me conhece sabe que sou magra e o Henrique, mais ainda. O elevador é relativamente grande e não ficaria apertado ao cidadão (que não é obeso) subir conosco. Eu não estava nem mal vestida, nem mal cheirosa. WTF? Pior ocorreu com a Maryella, a moça que trabalha na minha casa. Ela 'se perdeu' no elevador e não sabia em qual andar estava. Ao perguntar para uma mulher que estava no mesmo local, a dita cuja virou as costas para a Maryella e ficou olhando para as laterais do elevador! Meus Deus, alguém pegue a educação da senhora que ela deve ter esquecido no carro do ano que ostenta.
Mas é fato e a Fabi e o Henrique estão aí para comprovar minha tese. O prédio onde moro é um reduto de pessoas que se dividem em dois grupos: aqueles que não te cumprimentam em nenhuma hipótese; os que te cumprimentam se não houver escapatória. Há também um subgrupo, os dos simpáticos. Mas isso se resume aos porteiros e uns três ou quatro adultos. No máximo.
****
Estranhas coincidências: ao pesquisar uma imagem para a parte das sobrancelhas de henna no Google, apareceu a foto da mulher de um ex-namorado meus (um namoro meu remoto, mas também da década de 90! Em tempo: e o tal tem cabelos compridos até os dias de hoje #mundoestranho #mundoervilha #longhairsucks)
Eu até tenho um ímpeto de escrever, mas o gasto todo no trabalho. Porém, como têm havido algumas coisas intrigantes nesses últimos dias, sinto-me com um impulso incontrolável para compartilhar essas indagações ou experiências com seja-lá-quem-você-for.
Mistério número 1: os cortes de cabelo femininos em Foz do Iguaçu (ou, a ausência das tesouras nos salões)

Este é o top of the pops das coisas mais intrigantes. Nos anos 90, quando eu era adolescente (pois é, estou ficando velha), era comum as meninas terem cabelos extremamente longos. Se você era um bebê nessa época ou já tinha passado dos 40, provavelmente não tenha reparado neste fenômeno capilar. Essa onda dos cabelos levaram-me a ter mais de 60 centímetros não-lineares de cabelos que ultrapassavam a linha da cintura, delineada pelas calças de cós alto (um novo ‘must’ da temporada, para desespero da minha visão).
Os anos 90 passaram, as tesouras ficaram mais agressivas e mesmo os cabelos compridos encolheram.
Não tenho nada contra cabelos compridos, que fique claro. Eu prefiro os mais curtos, mas se você é um entusiasta dos cabelões – e para isso basta ser homem, em geral --, ok.
Ocorre que em Foz do Iguaçu os supercabelos são uma constante na paisagem. Não basta ser comprido. Tem que ser ultracomprido.
Fico me indagando se as mulheres daqui têm poderes místicos pelas madeiras tão extensas. Seria uma tradição da tríplice fronteira? Ou os cabelos de 70% da população feminina mundial cresceu dessa forma desde que cheguei à Terra das Cataratas, há pouco mais de dois meses, menos o meu (cortado pelas minhas próprias scissor hands na semana passada, aliás)? Fica o meu questionamento.
Mistério número 2: sobrancelhas de henna?

Ainda no campo estético feminino, a segunda indagação é sobre as sobrancelhas finalmente delineadas de grande parte da mulherada destas bandas. Perdoem-me pela ignorância, mas isso são as chamadas sobrancelhas de henna? Confesso ficar em dúvida se é sobrancelha ou maquiagem definitiva (explicação aos homens: nome dado para as tatuagens que imitam maquiagens. Você pode saber o que é se for à praia e verificar mulheres com olhos pintados na pálpebra às 7h da matina, por exemplo. Ninguém vai maquiada à praia nessa hora, a não ser que seja por esse procedimento irreversível).
Também admito que minha curiosidade é para um possível uso próprio, se o bom senso me faltar. Minhas sobrancelhas têm umas falhas anatômicas e, talvez, a henna fosse a solução para este ‘problema’. Mas é que já vi tanto sobrancelhas pintadas e bonitas quanto umas coisas beeeem, beeeeeeem, beeeeeeeeem medonhas. Devo provar?
Mistério número 3: a falta de educação (de grande parte) dos meus vizinhos.

Okay, Foz do Iguaçu não é uma dimensão X de pessoas sem noção e nem me crucifiquem por isso. Tem gente bacana por aqui. Não vou arriscar uma contagem senão eu poderia ser crucificada mesmo pelas minhas gerações futuras que podem vir a nascer aqui e, eventualmente, pesquisem a vovó Stela no Google 3.0.
Noutro dia, um dos meus vizinhos chegou a abrir a porta do elevador, olhar para mim e meu filho, e fechar de novo. Como ele estava no subsolo máximo, deduzo que ele não desistiu de subir por outro motivo a não ser o fato do elevador estar ocupado. Quem me conhece sabe que sou magra e o Henrique, mais ainda. O elevador é relativamente grande e não ficaria apertado ao cidadão (que não é obeso) subir conosco. Eu não estava nem mal vestida, nem mal cheirosa. WTF? Pior ocorreu com a Maryella, a moça que trabalha na minha casa. Ela 'se perdeu' no elevador e não sabia em qual andar estava. Ao perguntar para uma mulher que estava no mesmo local, a dita cuja virou as costas para a Maryella e ficou olhando para as laterais do elevador! Meus Deus, alguém pegue a educação da senhora que ela deve ter esquecido no carro do ano que ostenta.
Mas é fato e a Fabi e o Henrique estão aí para comprovar minha tese. O prédio onde moro é um reduto de pessoas que se dividem em dois grupos: aqueles que não te cumprimentam em nenhuma hipótese; os que te cumprimentam se não houver escapatória. Há também um subgrupo, os dos simpáticos. Mas isso se resume aos porteiros e uns três ou quatro adultos. No máximo.
****
Estranhas coincidências: ao pesquisar uma imagem para a parte das sobrancelhas de henna no Google, apareceu a foto da mulher de um ex-namorado meus (um namoro meu remoto, mas também da década de 90! Em tempo: e o tal tem cabelos compridos até os dias de hoje #mundoestranho #mundoervilha #longhairsucks)
sexta-feira, abril 30, 2010
quarta-feira, abril 21, 2010
A caderneta

Depois de separados, eles estabeleceram um estranho mecanismo de comunicação indireta. A medida era necessária para impor a distância que a razão de ambos desejava manter. Ele queria esquecê-la. E ela, dele não queria lembrar.
Foi dessa forma que a caderneta da mercearia virou a interlocutora dos últimos suspiros daquele romance tão fugaz quanto intenso vivido por Deoclésia e Teobaldo.
Como é comum após a separação – ocorrida de forma inarrável, já que cada um dos envolvidos tem sua própria versão para o fato — Teobaldo embebedou-se sentando no banco de madeira da mercearia do bairro onde viveram felizes por tão pouco tempo.
Os pensamentos, intercalados por angústia, ódio e amor, eram embalados pela trilha sonora da Rádio Nacional. Impulsionado pelo sucesso do momento, Teobaldo decidiu que era hora de partir. Pediu ao dono do bar a caderneta onde há dez anos assinava suas despesas, pagas sempre no dia 11 de cada mês.
Naquele dia, no entanto, as folhas apertadas do caderno abrigaram parte de sua dor. De posse da caderneta de capa azul e folhas amareladas (provavelmente pelas frituras vendidas no local), não hesitou. Como num desabafo , traçou algumas letras tortas que logo revelaram o primeiro trecho de Renúncia, sucesso de Nelson Gonçalves na Rádio Nacional:
“Hoje não existe nada mais entre nós
Somos duas almas que se devem separar
O meu coração vive chorando e minha voz
Já sofremos tanto que é melhor renunciar”
Ao terminar a estrofe, sentia-se um pouco mais aliviado. A atitude tomada por impulso serviu-lhe “como pinça para retirada de uma espinha de um peixe da garganta”, conforme pensou tal metáfora.
Ele sabia que, antes da partida, Deoclésia ainda passaria uns dias na casa da prima Laurinda, moradora da parte mais alta do bairro. E, apesar da distância, não haveria outra mercearia nas redondezas. Desejou ter sua ação (um tanto rebelde, admitia) revelada à mulher que, por ele, fora tão amada. Era um modo de atingi-la. E de compartilhar a sua dor.
Deoclésia partiria por “motivo nobre”. Era essa expressão que costumava usar quando lhe perguntavam o porquê de sua partida. Caçula de nove irmãs, era a única disposta a cuidar do pai enfermo no interior do Alagoas. Não que fosse benevolente a esse ponto. Católica fervorosa, ela temia que o abandono do pai a levasse ao inferno do Dia do Juízo Final. Assim, de posse de sua bondade transviada, Deoclésia deixaria o Rio de Janeiro e, com ele, Teobaldo.
Os dois não cabiam no mesmo mundo, pensava ela. E não era a fé que os separava. Todos os anos, ele ia à Aparecida do Norte pagar promessa à padroeira. Os motivos de deixá-lo caberiam na mesma folha que ele poderia escrever os defeitos dela. "Cada um com a sua versão", pensava ela.
Por incontáveis motivos, Deoclésia sofria por deixar a capital do Brasil. E embora não admitisse, tinha mais temor de perder os capítulos da novela “Em busca da felicidade”, transmitida pela Rádio Nacional, do que penar pela possível perda da programação musical carioca.
Aprendera a gostar de música tardiamente. Foi pelo costume de Teobaldo de usar versos compostos por terceiros para declarar seu amor, que começou a copiar os versos dos cantores da Rádio Nacional em um caderno travestido de diário. A prática, entretanto, tinha um ritual. Anotava somente trechos otimistas das músicas pois temia que as palavras de dor trouxessem para dentro da sua casa as histórias narradas pelos cantores.
Naquele dia, porém, Deoclésia escreveria sua primeira estrofe pessimista sobre o amor. Na volta do trem, decidiu ir à mercearia comprar uma coca-cola, que chegara ao Brasil naquele ano. Lembrou-se da dívida com o dono da venda e pediu para conferir os valores somados antes de quitar o débito antes de sua partida.
Subitamente, uma mistura de sensações tomaram seu corpo ao ler as últimas anotações feitas no pequeno caderno, nas folhas que deveriam ser exclusivas para o registro de suas pendências. Na folha onde constava seu nome acima e algumas pequenas despesas, havia quatro versos escritos. Mesmo disforme, pode reconhecer aquela letra. Eram de Teobaldo.
Um nó subiu-lhe à garganta e sentiu que deveria guardar as lágrimas. Achou melhor não questionar nada ao dono do comércio, embora as perguntas viessem à mente. Teria ele estado no lugar há pouco? Deveria ela partir correndo, mediante a possível volta repentina de Teobaldo?
Respirou fundo, na tentativa de afugentar a dor, e virou as páginas até chegar ao espaço destinado à marcação das despesas de Teobaldo. Lá, grafou 'sua resposta' em letras redondas e tão grandes que chegavam a agredir as linhas-guia:
“A minha renúncia enche-me a alma e o coração de tédio
A tua renúncia dá-me um desgosto que não tem remédio
Amar é viver, é um doce prazer, embriagador e vulgar
Dificil no amor é saber renunciar”
Poucos dias depois, as dívidas da caderneta foram quitatas por ambos, mas a dor e o amor tardaram a brandar. Nunca mais se viram, nem ouviram um do outro falar.
E assim, através da dor cantada por Nelson Rodrigues e em meio as contas das despesas impostas pelo cotidiano, eles renunciaram.
Por Stela Guimarães.
______________________________________________
Versão concluída às 0h51 de 21 de abril, não editada ou revisada.
quinta-feira, março 18, 2010
domingo, janeiro 24, 2010
Geisy, a decepção

Geisy Arruda cedeu ao preconceito que tanto disse combater. Com um vestido pink de gosto duvidoso, Geisy fora hostilizada pelos colegas da universidade em um dos fatos marcantes dos media de 2009.
Nas rodas de conversa, não tive dúvidas ao sair na defesa da falsa loira. Defendi o direito à liberdade de expressão manifesta no estilo de se vestir de cada um. Cheguei a tecer teorias relacionadas ao tratamento das mulheres platinadas ao proferir frases do tipo: "se fosse morena, seria tratada na mesma maneira?". Cheguei a ter uma conversa com meu filho sobre piadas de loiras. E pedi a ele para refletir sobre o ocorrido com a universitária. E lembrei-lhe sobre a necessidade de respeito com o próximo.
Na minha época de faculdade havia um transexual no meu prédio que, quase invariavelmente, vestia-se de maneira indiscreta. Em quatro anos, nunca a vi sendo hostilizada pelos alunos. Havia no máximo olhares preconceituosos, mas imperava o respeito.
Geisy também merecia ser respeitada e sequer era de um grupo à margem. Mesmo mais cheinha, ela parecia encarnar o estereótipo da loira-gostosa disseminado pelos programas populares de tevê. Sobravam alguns quilinhos, mas o vestido rosa apontava para uma auto-confiança muito louvável.
Mas Geisy Arruda cedeu à sociedade que a hostilizou. Diz que vai lutar "até o fim" pelos direitos pela humilhação sofrida na universidade. Só que ao esculpir seu corpo com o bisturi para enquadrar-se aos modelos estéticos da contemporaniedade entregou-se àquilo que, aparentemente, desejava combater: a intolerância.
Aos jornalistas, disse ter se inspirado em Carla Perez -dançarina do finado 'É o Tchan' que de gostosa popular também passou a gostosa recalchutada.
Não sou contra cirurgia plástica. Já cheguei a pensar em ceder a esse apelo para corrigir meu nariz. Mas os 435 ml de silicone em cada seio e a lipoescultura que levaram cinco litros de gordura da loira serviram como uma espécie de 'aculturação' que a capacitou a posar nua.
Não discuto os resultados plásticos da intervenção cirúrgica. Ficou bom. Ainda assim, a estudante me decepcionou.
Geisy subvertia os padrões de conduta ao assumir seu corpo um pouco fora dos modelos disceminados pelos reality shows. Geisy era a realidade e, até mesmo, atitude. Agora é imagem intercalada por um 'plim, plim' da tela dessa sociedade da fama instantânea.
quinta-feira, janeiro 07, 2010
Artistas de Jacareí (SP) se unem para ajudar vítimas e valorizar patrimônio cultural de São Luiz do Paraitinga

Coletivo de voluntários reproduzirá Carnaval luizense em show no dia 17 de janeiro, em Jacareí; evento terá grafite, oficina de máscaras, bonecões e gravação de vídeo de apoio
Stela Guimarães
Para milhares de pessoas, a cidade de São Luiz do Paraitinga (SP) é sinônimo de festa, religiosidade e cultura popular. É fácil encontrar alguém apaixonado pelo belo patrimônio arquitetônico da cidade, cenário de diversas manifestações como a Festa do Divino e o Carnaval de Marchinhas. Hoje, São Luiz do Paraitinga não está em festa.
A enchente ocorrida na virada do ano transformou o palco de festa em cena de guerra. Nove dos 11 mil moradores da cidade tiveram de deixar suas casas. Segundo o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), 300 edificações foram afetadas pela enchente e metade das 80 construções que pertenciam ao patrimônio histórico precisará de obras de restauração. A igreja matriz e a capela das Mercês foram completamente destruídas.
Mas a tragédia não pode esmorecer nossa esperança e nossa solidariedade. Por isso, é com espírito de festa que pretendemos retribuir a alegria ofertada pelos luizenses. E como forma de homenagear e ajudar esse povo acolhedor, um grupo de voluntários formados por artistas de Jacareí (SP) –músicos, atores, artistas plásticos, escritores, publicitários, jornalistas, estilistas e pesquisadores da cultura popular— uniram-se para promover um evento beneficente com objetivo de celebrar as marchinhas de compositores de São Luiz do Paraitinga, interpretadas por 16 músicos jacareienses.
O show será realizado no dia 17 de janeiro (domingo), das 17h às 20h, no Parque dos Eucaliptos, na avenida Nove de Julho, centro de Jacareí (SP). O ingresso será um produto de limpeza (como desinfetantes, água sanitária, hipoclorito de sódio, vassouras, panos de chão) que serão doados às vítimas da enchente.
No local também haverá um posto de coleta para recolher outros donativos como material de higiene pessoal, alimentos não perecíveis, colchões e roupas de cama.
Ação coletiva – Todos envolvidos nessa realização são voluntários da campanha “Nem todo Carnaval tem seu fim. Juntos por São Luiz do Paraitinga”, lançada pelo blog www.ajudeslp.blogspot.com, criado por um professor universitário de Jacareí.
No repertório do show estão cerca de 20 músicas compostas pelos artistas luizenses e que embalam o tradicional Carnaval de Marchinhas.
Para alegrar esse baile haverá bonecões semelhantes aos do Carnaval de São Luiz, oficina de máscaras ministrada por artistas plásticos e o trabalho coletivo de grafiteiros, que prepararão um painel com motivos que remetem à cultura do município afetado pela enchente.
Durante o evento também serão captadas imagens do show e depoimentos de apoio dos participantes. Esse material será transformado em um vídeo, que será como declarações de amor à cultura luizense e de apoio às vítimas.
A ideia dos voluntários é exibir essas imagens posteriormente para os moradores de São Luiz, como uma forma de mostrar que o slogan “Nem todo Carnaval tem seu fim. Juntos por São Luiz do Paraitinga”, não está só no papel.
Venha curtir um pouco da cultura ofertada pelo Carnaval de São Luiz do Paraitinga. Colabore com quem sempre acolheu seus visitantes com música, fé e sorrisos.
stelaguimaraes@usp.br
www.ajudeslp.blogspot.com
(12) 8841-0304
Pesquisadora do Carnaval de São Luiz do Paraitinga na ECA/USP e membro da comissão de voluntários da campanha “Nem todo Carnaval tem seu fim. Juntos por São Luiz do Paraitinga”
quarta-feira, novembro 18, 2009
Redundância
Apagão, pré-sal, guerra ao tráfico. Gravidez da Gisele Bünchen. Microvestido de Geisy. Reforma Ortográfica. Privatização de espaços públicos. Mestrado. USP. Logo estarei de volta.
sexta-feira, setembro 11, 2009
sexta-feira, julho 17, 2009
Jacareí realiza Feira do Bolinho Caipira
Iguaria, que pode ser encontrada em Jacareí durante todo o ano, pode virar patrimônio cultural do município
Uma iguaria feita à base de uma receita simples - água, farinha de milho e lingüiça – promete não só provocar o apetite de muita gente mas também uma saborosa discussão. Em mais de um século de tradição na cidade, o bolinho caipira ganhou popularidade em festas juninas, sua fama se espalhou pelo Estado e, agora pode virar patrimônio cultural de Jacareí.
A iniciativa de reconhecer o bolinho caipira como um patrimônio partiu da Diretoria de Patrimônio da Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu. E ganha mais tempero com a realização da Feira do Bolinho Caipira, intitulada 'Patrimônio Cultural de Jacareí', que acontece entre hoje (17) e domingo (19), das 18h às 21h, no MAV (Museu de Antropologia do Vale do Paraíba). Na feira serão vendidos os três tipos de bolinho caipira mais conhecidos na região: peixe, carne de porco e lingüiça, acompanhados de bebidas típicas como quentão, além de atrações musicais.
O diretor de Patrimônio, Alberto Capucci, explica que a feira abre espaço para discutir as ideias e propostas para transformar oficialmente o bolinho caipira em patrimônio cultural de Jacareí. “É bom frisar que este evento não é um concurso, mas uma feira onde a população poder saborear o bolinho e ouvir as diversas versões sobre sua origem. Isso faz parte do nosso interesse de declarar o bolinho caipira como patrimônio”. E para apimentar mais o assunto, o diretor destaca ainda que “não estamos dizendo que é só Jacareí que tem o bolinho caipira. O fato é que Jacareí saiu na frente”,
O departamento iniciou estudos e pesquisas para colher dados e informações sobre a origem e difusão desse prato típico. Mas de acordo com Capucci, é um saber que passa 'de mãe para filha', não há registros fotográficos ou escritos, o que existe é história oral. Ainda segundo ele, é provável que a origem dessa iguaria seja com os índios puris (grupo indígena que habitou a região sudeste), que utilizavam o peixe e farinha como ingredientes. Com a vinda dos portugueses, no século XVI, passou a ser feito com carne de porco. Hoje, há variações no modo de preparo, mas a receita à base de farinha de milho branca e lingüiça permanece como a tradicional.
Especialistas – A quituteira Ignes Leme Nogueira de Abreu, que faz bolinho caipira há 40 anos, lembra que, em Jacareí, o famoso salgado deixou de ser um prato típico de festas juninas e pode ser encontrado durante todo o ano em barracas e traillers instalados na cidade. “É irresistível. A receita que fazemos com carne de porco faz sucesso o ano todo”, garante.
E há quem defenda que o saboroso quitute também pode ter um certo requinte e frequentar buffet de casamento e aniversários. “É uma atração em Jacareí. Muita gente vem à cidade e quer experimentar o bolinho caipira. Muita gente faz encomendas inclusive para festas de aniversário e casamento”, diz Berenice Abreu, que aprendeu com a mãe Zilda Abreu a receita do tradicional bolinho feito com lingüiça.
Já a baiana Mirela Gross faz questão de ressaltar que apesar da variedade do recheio, é o tempero que dá mais água na boca. “Cada um põe o seu tempero. Costumo caprichar no condimento e isso tem dado muito certo”, afirma.
Desde 1958 – Um dos mais antigos na arte de fazer o bolinho caipira é o comerciante José Maria de Souza, mais conhecido como Zequinha do Mercadão, conta que faz bolinho caipira de 1958. A sua banca no Mercado Municipal de Jacareí – que funciona desde 1962 – tem como principal atração o bolinho caipira de linguiça. “Também fazemos sob encomenda o de peixe”.
Feira do Bolinho Caipira
Dias: 17, 18 e 19 de julho das 18h às 21h
Local: Pátio do Museu de Antropologia do Vale do Paraíba
Atrações barracas com os três tipos de bolinho caipira (peixe, carne moída e lingüiça) e atrações musicais.(Por Rosana Antunes, jornalista da Prefeitura Municipal de Jacareí)
Uma iguaria feita à base de uma receita simples - água, farinha de milho e lingüiça – promete não só provocar o apetite de muita gente mas também uma saborosa discussão. Em mais de um século de tradição na cidade, o bolinho caipira ganhou popularidade em festas juninas, sua fama se espalhou pelo Estado e, agora pode virar patrimônio cultural de Jacareí.
A iniciativa de reconhecer o bolinho caipira como um patrimônio partiu da Diretoria de Patrimônio da Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu. E ganha mais tempero com a realização da Feira do Bolinho Caipira, intitulada 'Patrimônio Cultural de Jacareí', que acontece entre hoje (17) e domingo (19), das 18h às 21h, no MAV (Museu de Antropologia do Vale do Paraíba). Na feira serão vendidos os três tipos de bolinho caipira mais conhecidos na região: peixe, carne de porco e lingüiça, acompanhados de bebidas típicas como quentão, além de atrações musicais.
O diretor de Patrimônio, Alberto Capucci, explica que a feira abre espaço para discutir as ideias e propostas para transformar oficialmente o bolinho caipira em patrimônio cultural de Jacareí. “É bom frisar que este evento não é um concurso, mas uma feira onde a população poder saborear o bolinho e ouvir as diversas versões sobre sua origem. Isso faz parte do nosso interesse de declarar o bolinho caipira como patrimônio”. E para apimentar mais o assunto, o diretor destaca ainda que “não estamos dizendo que é só Jacareí que tem o bolinho caipira. O fato é que Jacareí saiu na frente”,
O departamento iniciou estudos e pesquisas para colher dados e informações sobre a origem e difusão desse prato típico. Mas de acordo com Capucci, é um saber que passa 'de mãe para filha', não há registros fotográficos ou escritos, o que existe é história oral. Ainda segundo ele, é provável que a origem dessa iguaria seja com os índios puris (grupo indígena que habitou a região sudeste), que utilizavam o peixe e farinha como ingredientes. Com a vinda dos portugueses, no século XVI, passou a ser feito com carne de porco. Hoje, há variações no modo de preparo, mas a receita à base de farinha de milho branca e lingüiça permanece como a tradicional.
Especialistas – A quituteira Ignes Leme Nogueira de Abreu, que faz bolinho caipira há 40 anos, lembra que, em Jacareí, o famoso salgado deixou de ser um prato típico de festas juninas e pode ser encontrado durante todo o ano em barracas e traillers instalados na cidade. “É irresistível. A receita que fazemos com carne de porco faz sucesso o ano todo”, garante.
E há quem defenda que o saboroso quitute também pode ter um certo requinte e frequentar buffet de casamento e aniversários. “É uma atração em Jacareí. Muita gente vem à cidade e quer experimentar o bolinho caipira. Muita gente faz encomendas inclusive para festas de aniversário e casamento”, diz Berenice Abreu, que aprendeu com a mãe Zilda Abreu a receita do tradicional bolinho feito com lingüiça.
Já a baiana Mirela Gross faz questão de ressaltar que apesar da variedade do recheio, é o tempero que dá mais água na boca. “Cada um põe o seu tempero. Costumo caprichar no condimento e isso tem dado muito certo”, afirma.
Desde 1958 – Um dos mais antigos na arte de fazer o bolinho caipira é o comerciante José Maria de Souza, mais conhecido como Zequinha do Mercadão, conta que faz bolinho caipira de 1958. A sua banca no Mercado Municipal de Jacareí – que funciona desde 1962 – tem como principal atração o bolinho caipira de linguiça. “Também fazemos sob encomenda o de peixe”.
Feira do Bolinho Caipira
Dias: 17, 18 e 19 de julho das 18h às 21h
Local: Pátio do Museu de Antropologia do Vale do Paraíba
Atrações barracas com os três tipos de bolinho caipira (peixe, carne moída e lingüiça) e atrações musicais.(Por Rosana Antunes, jornalista da Prefeitura Municipal de Jacareí)
quarta-feira, julho 08, 2009
Cinco coisas que não sou e gostaria de ser
Fui convocada pelo Henrique (http://www.brasilenos.blogspot.com/) a discorrer sobre "cinco coisas que não sou e gostaria de ser", um tipo de corrente lançada pelos blogueiros mas graças a Deus, sem apresentações de Power Point inclusas.

Sexy e misteriosa- É ridículo dizer isso, mas foi exatamente a primeira coisa que me veio à mente. Culpa de Hollywood. Eu queria ser uma coisa meio personagem de Hitchcock com um quê de Scarlet Johanson. E nem falo da beleza (ou dos dotes da região do baixo ventre da loira). Eu invejo aquelas personagens sobre as quais não é possível revelar se são vítimas ou algozes. Só não invejo o destino da morte a facadas. Essa parte, eu passo.
Econômica e organizada- Esta foi até um alívio ler como top five de outros blogueiros. Sou um fracasso com a administração do meu dinheiro. E tenho certeza se ganhasse o triplo, seria a mesma coisa. O problema é na gestão da bufunfa. Eu simplesmente odeio gerenciar as contas. Mais até do que pagá-las. Até baixei uma planilha sobre orçamento doméstico na Você S/A pra ver se eu mudo de vida antes de decretar falência.
Low profile- Ah, o mundo blasè! Das pessoas que falam e riem baixo. Que sofrem de mau humor em dias de sol. Ah, pessoas como minha amiga Marpessa, uma europeia que nasceu em terras tupiniquins por engano. Pessoas que pensam 'bah' quando não gostam de algo, em vez de ficarem vermelhas como eu. Pessoas que tomam café da manhã na Pinacoteca de São Paulo com "cara de intelectuais franceses em bibliotecas novaiorquinas". Ah! Como deve ser bom ser low profile.

Má -É, acho que excesso de bondade involuntária (é, senão não seria bondade) faz mal. Eu não consigo ficar com raiva. Ó, vocês devem estar pensando: mas isso é bom, Stela (ou isso é hipocrisia e propaganda enganosa e blá blá blá. Pensem o que quiserem porque eu não ficarei com raiva!). Humpf.
A minha bondade fez-me emprestar dinheiro e nunca mais ver a cor da grana e, recentemente, quase fui atropelada ao tentar dissuadir um bêbado desconhecido ao sair da beira da estrada (tudo bem que eu me empenhei em ajudá-lo porque o cara trajava a camisa do São Paulo Futebol Clube e eu entendo a dor são paulina na atualidade).
Profunda conhecedora da reforma ortográfica lusobrasileira - Com ou sem hífen? Sentiram o drama? Responde pra gente Bicarato, please!
Como parte da corrente sem apresentação em .PPT, passo a bola para o Elton Rivas (http://tendenciasa.blogspot.com/), Marpessa (essa é low profile, então dificilmente vai responder), André (http://picbrasil.blogspot.com/), ao Bôe (http://fernandolalli.blogspot.com/), ao Rafa (http://mtv.uol.com.br/blogdorafa/blog) e a Gigi (http://mtv.uol.com.br/blogdorafa/blog).

Sexy e misteriosa- É ridículo dizer isso, mas foi exatamente a primeira coisa que me veio à mente. Culpa de Hollywood. Eu queria ser uma coisa meio personagem de Hitchcock com um quê de Scarlet Johanson. E nem falo da beleza (ou dos dotes da região do baixo ventre da loira). Eu invejo aquelas personagens sobre as quais não é possível revelar se são vítimas ou algozes. Só não invejo o destino da morte a facadas. Essa parte, eu passo.
Econômica e organizada- Esta foi até um alívio ler como top five de outros blogueiros. Sou um fracasso com a administração do meu dinheiro. E tenho certeza se ganhasse o triplo, seria a mesma coisa. O problema é na gestão da bufunfa. Eu simplesmente odeio gerenciar as contas. Mais até do que pagá-las. Até baixei uma planilha sobre orçamento doméstico na Você S/A pra ver se eu mudo de vida antes de decretar falência.
Low profile- Ah, o mundo blasè! Das pessoas que falam e riem baixo. Que sofrem de mau humor em dias de sol. Ah, pessoas como minha amiga Marpessa, uma europeia que nasceu em terras tupiniquins por engano. Pessoas que pensam 'bah' quando não gostam de algo, em vez de ficarem vermelhas como eu. Pessoas que tomam café da manhã na Pinacoteca de São Paulo com "cara de intelectuais franceses em bibliotecas novaiorquinas". Ah! Como deve ser bom ser low profile.

Má -É, acho que excesso de bondade involuntária (é, senão não seria bondade) faz mal. Eu não consigo ficar com raiva. Ó, vocês devem estar pensando: mas isso é bom, Stela (ou isso é hipocrisia e propaganda enganosa e blá blá blá. Pensem o que quiserem porque eu não ficarei com raiva!). Humpf.
A minha bondade fez-me emprestar dinheiro e nunca mais ver a cor da grana e, recentemente, quase fui atropelada ao tentar dissuadir um bêbado desconhecido ao sair da beira da estrada (tudo bem que eu me empenhei em ajudá-lo porque o cara trajava a camisa do São Paulo Futebol Clube e eu entendo a dor são paulina na atualidade).
Profunda conhecedora da reforma ortográfica lusobrasileira - Com ou sem hífen? Sentiram o drama? Responde pra gente Bicarato, please!
Como parte da corrente sem apresentação em .PPT, passo a bola para o Elton Rivas (http://tendenciasa.blogspot.com/), Marpessa (essa é low profile, então dificilmente vai responder), André (http://picbrasil.blogspot.com/), ao Bôe (http://fernandolalli.blogspot.com/), ao Rafa (http://mtv.uol.com.br/blogdorafa/blog) e a Gigi (http://mtv.uol.com.br/blogdorafa/blog).
sábado, julho 04, 2009
Meu celular morreu com Michael Jackson

O último dia 25 de junho marcou a história recente do entretenimento e da cultura pop mundial. A morte de Michael Jackson provocou um colapso momentâneo no Google, mais de 100 mil atualizações por minuto com o nome do astro no Twitter e um incremento quase instantâneo de 8.000% a mais nas vendas dos produtos com a marca MJ.
Michael Jackson é parte da vida de muita gente que, como eu, acompanhou grande parte da carreira artística do Rei do Pop. Lembro-me de ter visto a estreia de Thriller no Fantástico e decorei mesmo com pouca idade muitas músicas do ídolo. Minha infância não teria sido a mesma sem ele, assim como Madonna impactou minha vida desde que a vi dançando vestida de noiva na tevê.
Soube da notícia por telefone, quando tomava banho. Atendi o celular ainda no chuveiro. Era a Taís. Com um tom de voz que misturava drama, descrença e uma certa euforia, ela me contou: "Stela, Michael Jackson morreu. Está em todos sites de notícia, mas a CNN ainda não confirmou".
Fechei o chuveiro perturbada. Como poderia Michael Jackson ter morrido? Ele é do tipo imortal, daquelas pessoas que parecem nunca ter sequer nascido, mas brotado em algum campo pronta direto para o mundo do entretenimento.
Poucos minutos depois, meu celular desligou. A pane atingiu até mesmo o chip com o número que me acompanhava desde 2004 (pelo menos). Já testei em outros aparelhos e nada. Provavelmente, o vapor do chuveiro tenha danificado os 'circuitos'. Poeticamente, prefiro pensar na hipótese do aparelho ter tido um tipo de AVC robótico. "I´m going with Michael".

We care about Michael
Michael é o exemplo dos tempos da modernidade líquida de Zigmunt Baumann: a celebridade líquida, intangível, imaterial, volátil. Suas mudanças atestam como ele personifica os tempos da 'pós-modernidade' e sua morte noticiada instantaneamente é um exemplo da sociedade da informação. O volume de material produzido pela imprensa em homenagem ao astro pop confirma a avalanche de informações.
Ninguém do mainstream fora mais excêntrico. Michael Jackson mudou de cor, de forma, de conteúdo. Não queria crescer pois vivera 17 anos no rancho da Terra do Nunca. Envolveu-se (ou fora envolvido?) em escândalos sexuais. Sua conduta familiar fora tão bizarra quanto as cirurgias para mudança do rosto. Fora casado com a filha de Elvis Presley e dono dos direitos das músicas dos Beatles (o que rendeu um atrito com Paul Mccartney). Por um tempo, dormira em uma câmara e seus filhos eram obrigados a usar uma máscara tão esquizofrênica quanto sua própria imagem. Mas Michael Jackson redefiniu a linguagem do videoclipe e a dança. A MTV não seria o que é sem ele. Nem Justin Timberlake e todo o resto da música pop. E, desde então, nem meu número de celular.
segunda-feira, junho 01, 2009
He´s coming.

www.malvados.com.br
Minha irmã quebrou o braço em três pontos depois de cair na rua. Estava de tênis e, em geral, só usa salto alto. Fará cirurgia amanhã.
O avião francês desapareceu na turbulência brasileira no 'Ano da França no Brasil'.
A mesma palavra --turbulência-- figura metaforicamente na notícia da concordata declarada pela General Motors nos EUA.
Sofro de uma espécie de temporada de castidade voluntária.
E hoje o meu filho disse: "Quero tocar guitarra, mãe". E mais cedo, pela manhã, outra: "Jesus voltará em breve. Minha avó disse isso".
Começo a ficar religiosa.
Assinar:
Postagens (Atom)

