segunda-feira, julho 16, 2007

1977: Como chego aos 30 anos caipira, sob influência de Cameron Crowe e interessada em Números Mágicos.




De quebra, um pouco sobre o rock.

Cameron Crowe tem dirigido não só filmes que tenho prazer em ver, rever e colecionar, mas meu próprio gosto musical. Sou totalmente suscetível às trilhas sonoras dos filmes de Crowe. Totalmente, sem eufemismo, como muitos costumam usar tratar estas grandezas por aí.

Diretor de filmes como Vanilla Sky, Quase Famosos e o meu favorito, Tudo Acontece em Elisabethtown, Crowe fez-me ouvir Elton John com atenção. Colocou Free Bird na minha vida e desnudou um amplo repertório composto inclusive por sua mulher, Nancy Wilson (homônima de outra, hoje entre minhas compositoras de trilhas favoritas (ouçam 60B, de Nancy, por favor). Muito mais do que isso: Cameron Crowe –apesar da trilha de Vanilla Sky e sua verve eletrônica— tornou-me uma fã de música com pitada country. De repente, fiquei totalmente fascinada pelo rock caipirão (que vai muito além e começa muito antes de Kings of Leon).

Revival ou vintage: é tudo ou nada
Aparentemente, tudo produzido nos anos 70 ainda está por aí incitando mentes e dedos na composição do rock do novo milênio (tudo bem, a expressão virou lugar-comum, mas é isso aí). Não são apenas as trilhas de Crowe que fazem apologia e propaganda do rock setentista. É minha impressão ou quase tudo no universo do rock soa como uma mistureba de Stooges, Velvet Underground ou Clash repaginados? Os Strokes foram influenciados por Lou Reed (e eu por Lou Reed para gostar de Strokes). The Dresden Dolls (ouçam Me & The Minibar e comprovem) tem mais que só um ‘quê’ de Patti Smith. Coincidência (ou não!!), eu também sou made 70´s. Sendo mais específica, modelo 1977.

Abri os meus olhos pela primeira vez em 14 de agosto de 1977. Era domingo, Dia dos Pais, e minha irmã então com cinco anos de idade foi liberada para entrar no quarto. Ela me viu e batizou de ‘Stela’, nome que ouvira várias vezes de minha mãe. 'Stela' havia sido vizinha da família Guimarães no bairro do Ipiranga em São Paulo, muito antes dos anos 70. Meus pais acataram o desejo da irmãzinha mais velha. Foi assim que começou o meu primeiro dia.

Mas, exceto para mim (e provavelmente minha mãe!), meu nascimento foi a quase mais insignificante deste ano. Em 1977, o universo do rock também mudava. Dois dias depois, em 16 de agosto, Elvis Presley ‘o Deus do Rock’ morria.



Sex pistols, drogas, Shakira e acidentes aéreos
Voltemos, no entanto, ao início do lendário ano. Foi nele que os Sex Pistols subiram ao palco –no mesmo ano em que Sid Vicious entrava pra banda. Quase simultaneamente (e me perdoem os mais precisos com as datas), os Ramones lançavam Rocket to Russia, the Jam's In the City, Iggy Pop's Lust for Life. Em 1977 o Clash debutava com o álbum ‘The Clash’, assim como Elvis Costello com ‘My Aim is True’ e o Sex Pistol com ‘Never Mind the Bollocks’, ‘Here's the Sex Pistols’, e ‘Television's Marquee Moon’.
Mas nem tudo era novidade no mundo do rock há exatos 30 anos: Keith Richards já havia sido preso no início do ano com cocaína e Alice Cooper já era internado por causa do vício do álcool (‘this is not the first time’, cantaria Oingo Boingo anos à frente).

Dois meses após eu ‘vir ao mundo’ o avião que carregava os integrantes do Lynyrd Skynyrd (os mesmos caras do Free Bird) cai no Mississipi, matando o vocalista e compositor Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines além de Cassie Gaines, backing vocal do grupo. ‘Etranho, muito etranho’, eu gostar da banda e conhecê-la quase 30 anos após o incidente, suporia Walter Mercado.

Enquanto o rock caminhava sem Elvis –mas estava mais vivo que nunca (o rock, não Elvis!)— ‘Os embalos de sábado à noite’ estreavam nos cinemas e disseminavam a dancinha dedinhos para o alto pra lá, quadris pra cá de John Travolta. Irrompia a ‘era disco’, caminhando lado a lado (na cronologia) com o punk. Enquanto no Brasil, Chico Buarque que ainda não era sexy simbol lançada Os Saltimbancos. Diretamente do exílio, na Itália. E a ditadura militar deixava passar o meu primeiro disco pseudoinfantil.

E houve mais, muito mais, em 1977. O ano caracterizou-se por bandas como INXS, The B-52's, Def Leppard, Whitesnake e até os Dire Straits! Shakira, Cris Martin e Jon Buckland, ambos do Coldplay e Fiona Aple também deram olá ao planeta em 77 –todos hoje trintões e infinitamente melhores sucedidos que eu. E têm mais: Mark Stoermer, do The Killers, Aaron Kamin, The Calling, Craig Nicholls, The Vines e até o John Mayer desembarcaram por aqui na mesma época.

Foi ainda neste ano que a música que deu aos Eagles o posto de banda bilionária por Hotel Califórnia, que estava à frente das paradas até da Alemanha, quando o mundo nunca ouvira falar de globalização. Passados 30 anos, meu player genérico de Ipod ‘Made in Brazil’ traz como uma das músicas exemplo do playlist Hotel Califórnia. Weirdoooooooo.



No mundo micro daquela que conta aqui, o ano terminou com minha mãe mais tranqüila –sem aquela choradeira de bebê de dois meses—e eu certamente feliz com minha papinha. E o mundo terminou mais triste, com Chaplin dizendo adeus à terrinha no dia 25 de dezembro. De 1977.


Em 2007:
Ouço (nesta semana): The Dresden Dolls, Albert Hammond Jr e experimento The Fratellis e amo o repetitivo Magic Numbers (Viva Forever Lost, Long Legs e Love me Like You!).
Leio (nesta semana): Manuel Castells, Sociedade em Rede
Penso: logo existo. E surto.

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Frase da semana: por Valter Pereira, fotógrafo e colega de trampo: “Casa de ferreiro, peito de mau” (??????????).

That´s all folks. :-)

(dona de total desleixo, estou com preguiça de revisar o texto, faço depois...rs)

sexta-feira, junho 29, 2007

Horóscopo do dia



Sol na casa 8, lua na casa 2

29/06 (hoje) às 4h14 a 01/07 às 1h18

Neste período, que vai de 29/06 (hoje) às 4h14 a 01/07 às 1h18, a passagem da Lua pelo setor das finanças forma oposição ao Sol no setor das crises pessoais. A oposição tem uma natureza de conflito, mas também de complementação: o que é realmente importante para você, e que deve ser preservado, versus aquilo que não lhe serve mais, ao qual você tem um tolo apego emocional, mas que está na hora de se livrar.

O Sol na Casa 8 ilumina e esclarece a respeito do que não lhe serve mais e que precisa ser descartado sem piedade. A Lua na Casa 2 sugere a dor do apego ao que não tem mais funcionalidade em sua vida. É uma fase crítica, mas também libertadora, natural das luas cheias. Admire a Lua Cheia nestas noites, Stela, e compreenda que ela lhe concede o dom da renovação.


PS.: Tem lógica!

segunda-feira, junho 25, 2007

Hit the road, Jack.





Parte 1

Cair na estrada, tomar um rumo. A existência de tais expressões não ocorre ao acaso. Sabe-se lá desde quando o mundo, as artes –e universo dos lugares comuns— apropriaram-se das estradas como figura de linguagem, sinônimo de mudanças e de liberdade. Não é diferente na cotidianidade da vidinha humana. E o cinema está aí apenas para reforçar tais idéias.

Nos dias atuais, com a crise do sistema aéreo, as estradas ocuparam o caminho vazio daqueles que dela dependem. São elas que ligam pessoas queridas umas às outras, parentes distantes, colegas de classe, o aluno à sala de aula -ignorância e conhecimento. Também não é ao acaso que as estradas são arteriais. Elas comportam um fluxo tão vivo quanto aquele que leva, entre outras coisas, hemoglobinas.

Nos últimos dois meses, rodei mais de dois mil quilômetros de estrada, entre idas e vindas semanais. Esta rotina acaba amanhã, com o fim das idas a São Paulo. Neste tempo, aprendi a e virar em um trânsito complicado, a encontrar nomes de avenidas conhecidos. Acabei perdida em duas ocasiões –mas nenhuma delas me tirou a fé de encontrar o caminho certo, literalmente. Passei horas cantarolando sozinha dentro de um carro e tive a grata chance de presenciar pelo menos cinco pores do sol tão inesquecíveis para mim quanto o nome da rodovia por onde trafegava: Ayrton Senna. Em uma noite, fiz como companhia uma figura até então inimaginável: algumas músicas do Kleiton e Kledir que afugentaram a solidão ao volante quando a pilha já não rodava nada além do rádio (só para constar meus companheiros favoritos nestas noites: Strokes, Maria Rita e Lou Reed. Nando Reis, Lenine e Ryan Adams. Pearl Jam, Franz Ferdinand e Arnaldo Antunes).

Foi na estrada que também desabei no início da última semana, ao ponto dos olhos ficarem tão confusos pelas lágrimas que as imagens pareciam fotografias registradas em baixa velocidade. E nesse dia elas foram minhas melhores companhias, tanto quanto o asfalto que nos leva por esse mundo afora.







Parte 2




Coisa rara eu falar sobre minhas tristezas. Eu mesmo ‘me’ acredito como especialista na arte de sorrir. E isso não é artificial. Gosto mesmo de estar viva, de compartilhar e de respirar todos os dias.
Com certa freqüência, oferece ombro para os amigos e até me cobro quando não consigo dar a atenção que eles merecem (ombros e amigos). ‘Amar pode dar certo’, ‘O sucesso é ser feliz’ e os até os ‘Sete hábitos das pessoas muito eficazes’ poderiam surgir como conselho aos amigos mais necessitados.
Sentir-me como um livro ambulante de auto-ajuda já me fez pensar, em mais de uma ocasião, na possibilidade de explorar o ‘talento’ com fins lucrativos (rá!). Pena ser tão idealista e correr das prateleiras mais respostas nas livrarias.
Na linha da auto-análise, admito não ser fã de melancolia (apesar do meu gosto musical), de gente amarrada ao passado –de tristeza, em geral. Admitir-me nesta condição é tão doloroso quanto estar nela.

A condição de refutar a dor não é minha. Haja visto a quantidade de fluoxetina e outras ‘pílulas da felicidade’ despejadas por aí pelas receitas médicas. O mundo não admite mais a tristeza. Mas o que seríamos de nós sem ela? (desculpe, não consegui evitar a frase ‘shiniashikiniana’. Eu avisei!)

Sorte ter o repertório de auto-ajuda intríseco. Assim, minhas dores passam em menos de uma hora e eu livro ombros amigos de tal decepção. Afinal, a gente é aquilo que imagina ser, poderia dizer um guru qualquer por aí. E eu fico com o adjetivo ‘feliz’. Sem Prozac.









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(Nos fones, 'Esperanto', de Freundeskreis. Obrigada, Denise!)




domingo, maio 27, 2007

Bono Vox e a muiezinha de Cique e Taís

O Cique, batizado Márcio Henrique, é um desses caras que gostamos de ter por perto: é dono de um senso de humor apuradíssimo, faz e ri das piadas mais bobas. Ele foi um achado quando eu tinha 15 anos e surgiu como um oásis numa noite friozinha lá pelos idos dos anos 90. Eu saía pela primeira vez em um bar juntamente com minha irmã Deborah cuja idade, à época, ultrapassava um pouco os 20 anos. Conversa de gente velha, eu pensava enquanto bebericava uma caipirinha de morango pela primeira vez. Bebericava porque logo após o segundo gole voltei pra velha e boa coca-cola.

Estávamos com os amigos da minha irmã --nenhum deles com menos de 20-- e o Cique apareceu no bar porque é primo de um deles, o Gilberto, amigo próximo da minha irmã. E aquela noite mudou a minha vida.

Não se trata de um relato de uma noite romântica como vocês poderiam pressupor até aqui. Naquela noite eu conheci algo muito, muito bacana além de um amigo querido. Naquela noite eu ouvi, pela primeira vez (com atenção, pelo menos) a guitarra de The Edge e os vocais de Bono Vox, além do resto do pacote, Larry e Adam. Naquela noite, eu conheci e sua turma.


Cique me mostrou uns alguns vinis que nem dele eram (estávamos na casa de um outro amigo da Deborah, Ricardo). No meio deles tirou dois e catalogou: "isso você deve ouvir com atenção". Era Rattle and Run e The Joshua Tree (coisas que, provavelmente, ele nem ouve mais).

Sacou um dos discos de vinil e deixou a capa na minha mão. Depois falou algo sobre 'The boy and the torn in his side' e contou ter uma coleção de Pink Floyd que ia muito além de 'Wish you were here'. Falou coisas sobre Led Zeppelin entre outros. E eu fiquei muito abalada pelo rock dos anos 80. Era como se eu tivesse perdido a virgindade musical (atesto para os devidos fins que a outra ficou preservada por alguns anos à frente).

A minha amizade com o Cique não mantém uma linearidade temporal ou um contato permanente. Depois daquela noite em 93 ficamos muito, muito tempo sem nos falarmos. Eu sempre levei, no entanto, um pedacinho desse bom amigo guardada aqui dentro.
A internet permitiu um reencontro feliz. E descobri no Cique um leitor assíduo deste blog. Ele virou arquiteto, mas não trabalha em projetos de obras, teve uma banda independente e é fã do Autoramas. Montou um bar (viva o 'Funil'!) e é primo de um outro cara, que não o Gilberto, o Ricardo (que me deixou com duas costelas quebradas após uma batida de carro em 99, mas eu o perdôo por isso!). E o Cique tem a Taís, a namorada mais simpática de todos os amigos que tenho.

Juntos, Cique e Taís terão uma menina. E este certamente é o 'projeto' mais legal deste amigo, dono de um gosto refinado para muitas coisas (exceto para times de futebol) e, que sem querer, definiu há muito o gosto musical de uma adolescente até então meio sem assunto há 14 anos.

Que o mundo receba bem essa pequena 'muiezinha' (termo usado pelo pai para me contar o sexo do bebê!) que vem ao mundo bem provida de pai e mãe!

As I promisse!

quinta-feira, maio 03, 2007

Porque eu tive medo de Beatles




Durante muito tempo hesitei em ouvir Beatles. Parecia aquela coisa pré-estabelecida das muitas aclamadas sem muito sentido, parecida com Legião Urbana. Sabe aquele coisa de gente fanática defendendo Beatles como se nada de melhor tivesse sido produzido na música? Assustava-me um pouco. Nunca conheci alguém que gostasse ‘mais ou menos’ de Legião Urbana ou de Beatles. Era sempre aquela coisa de adjetivá-los com 'sensacional', 'divino', 'awsome' ou até o dissemidado 'é foda', se preferir (quem nunca ouviu a sentença 'Beatles é foda?').

E eu tinha tudo para gostar de Beatles. Havia uma relação emocional entre eu e a banda. Uma de minhas primeiras lembranças da praia, quando viajamos no Santana vermelho dos tios Waldir e Inês, tem como trilha sonora ‘Michelle’ e ‘Strawberry Fields Forever’. Lembro do caminho da praia do Lázaro, a rodovia Rio-Santos no trecho de Ubatuba, ao som de ‘Michelle ma belle’. Ainda assim Michelle (e as Micheles soltas no mundo me perdoem) soava como nome de menina chata. Não há lógica nisso, eu sei. Mas muitas Micheles que encontrei por aí eram, de fato, meio xaropes e quase sempre loiras (e eu não tenho nada contra loiras, é bom atestar!). Há mais: um de meus filmes favoritos da 'Sessão da Tarde' nos idos dos anos 80 era Hard Day´s Night. Adorava a cena das fãs se escondendo para ver seus ídolos (mais tarde, fiz um remake da cena na vida real para pegar uns autógrafos com o U2 Cover. Situação vexaminosa, admito hoje, passados 16 anos da cena).

Quanto aos Beatles, eu achava meio besta essa coisa de Ob-La-Di Ob-La-Da. A versão de Kiko Zambianchi para Hey Jude, sucesso quando eu tinha 12 anos, ajudou na repulsa. E o ‘lá vem o sol’ de Lulu Santos? Jesus, acende a luz! Que saco! Eu costumava pensar.

O acaso fez com que justamente uma cantora brasileira despertasse a vontade de ouvir Beatles com atenção. Cássia Eller, uma dessas unanimidades incontestáveis (como que por ironia), gravou Come Together e tudo mudou. Foi a primeira vez que ouvir Beatles com a atenção necessária para desmistificar aquela minha primeira impressão, de banda de yeah, yeah, yeah.

Come Together e I´ve Got a Feeling são duas obras raras, pensei. Atuais! Certamente há outras. Bingo! Discografia em mãos, ficou impossível resistir ao quarteto e tudo, tudo mais que ele representou à história da música, do rock, e por que não, do mundo.

Como em ‘I am Sam’ (filme divino com Sean Pean e título péssimo em português, o qual nunca lembro), os ‘meninos de Liverpool’ têm um repertório para cada momento da vida de qualquer pessoa. Qualquer cotidianidade, qualquer sentimento. É trilha sonora para a vida. Mas esse texto está fanático demais para continuar. Tenho medo de afugentar possíveis novos fãs.

(Só para distoar da maioria, um dos meus álbuns favoritos é o renegado Let it Be. Eu e pelo menos Two of Us, para não deixar de constar um trocadilho)

sábado, abril 07, 2007

Estamos de volta. Ao trabalho!





A semana mais absurda da minha vida termina hoje com a certeza de mudança e, para não perder a mania dos clichês, com meu coração cheio de esperança.





O início de abril celebrou meu verdadeiro 'feliz ano novo'. Eu encontrei o que precisava. Só agora abraço 2007, um ano muito especial e simbólico. Em agosto, inaguro a idade das mulheres de Balzac. Na próxima terça-feira, deixarei finalmente de lado a ociosidade forçada (pela maior licença médica sobre a qual já tive notícia). Estou livre para trabalhar e minha força de trabalho terá novo endereço.


Revigorada e disposta a trabalhar por aquilo que me dispus, assumo um compromisso novo. O tempo de pensar acabou. É preciso colocar tudo em seu lugar e depois mudar de novo. Abraçar o novo e respirar.





Nesta semana ganhei vários presentes: alguns alguns fragmentos de sutil beleza para colecionar, situações e imagens para o relicário com recortes das coisas bonitas que vejo em minha breve existência.

Seja bem vindo, stranger.


(De volta ao universo online --engraçado, porque meu blog voltou a habilitar postagens hoje por acaso,
fico devendo o texto sobre os beatles e o filho do casal mais bacana de todos os tempos, Cique e Taís)

domingo, fevereiro 11, 2007

Trava língua
Um tigre
Dois tigres
Três tigres

Destrava a língua
Um copo de cerveja
Dois copos de cerveja
Três copos de cerveja

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

CONJUGAÇÃO NÃO LINEAR DE VERBO À FRENTE DA GELADEIRA

(SOBRE DIAS DE INVERNO OU DE ENCLAUSURAMENTO)Eu belisco
Tu beliscas
Ele belisca
Nós beliscamos
Vós beliscais
Eles beliscam
Nós engordamos
Vós gastais
Eles lucram

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Você desmancharia em moléculas?


Costumo defender os filmes que gosto como um religioso ortodoxo à frente do púlpito. Esforço-me para não parecer entusiasmada demais, mas sempre acabo citando-os com tom excitado quando tenho a chance. Mas minha postura fanática acaba com um suspiro (um hãm...) quando o interlocutor discorda da qualidade da película. Tudo bem (embora eu suba as sobrancelhas finalizando um gesto bem arrogante, admito). Todos têm um mau gosto qualquer e isso é o charme das conversas. Eu gosto de Maroon Five embora lembre-me de NSync quando vejo a perfomance dos garotos. Compartilhar gostos e desgostos é uma das graças da vida.

A introdução foi só para justificar tamanha exaltação a olhos vistos naqueles que eventualmente lerem este texto. Falo sobre Antes do Pôr-do-Sol, lançado em 2004, com Julie Delpy e Ethan Hawke, um dos filmes mais fantásticos que já vi. Tudo bem, você pode pensar que é entusiasmo demais para um filme cuja história é contada em ‘tempo real’, centrada em dois personagens e a cidade de Paris como pano de fundo. A magia do filme consiste justamente no diálogo dos personagens. Enquanto o diálogo transcorria, eu pensava: “puta que pariu! É isso mesmo!”, estabelecendo minha sincronia e empatia com o casal e sua história.

O filme foi lançado em 2004, nove anos após o lançamento do também poético Antes do Amanhecer, quando os personagens de Julie (como Celine) e Hawke (Jesse) vivem uma noite de encontro e romance em um trem. Antes do Pôr-do-Sol trata do reencontro dos personagens e encerra a dúvida deixada ao final de seu antecessor: teriam os amantes se encontrado seis meses depois daquela noite, conforme prometido ao final de Antes do Amanhecer? Teriam eles se casado, envelhecido, desistido? Amadurecido, hibernado, sofrido, partido?
A resposta, no entanto, não é o ponto alto do filme. Ela é respondida ao longo dos primeiros 10 minutos e nem por isso encerra a emoção da história. Pelo contrário: sua aflição –a mesma que sentimos quando temos uma confissão a fazer, há muito guardada— continua ao longo da conversa pelas ruas de Paris. Seu roteiro foi escrito a seis mãos –pelos dois protagonistas do filme e o diretor Richard Linklater, o mesmo de Waking Life (tema para outro texto) e Escola do Rock (engraçadiiiiinho, divertidiiiiiiiiiinho e só).

Se as questões filosóficas são tratadas em Antes do Amanhecer, elas são o ponto alto das conversas entre Jesse e Celine, temperadas pela angústia e a tensão daqueles que se amam e correm o risco de serem dissolvidos em moléculas no prenúncio de um toque.

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Para quem não gosta de spoillers (textos que contam finais ou detalhes importantes de séries, filmes entre outros, embora esse não seja o caso porque deixei o final de fora), é melhor abandonar a leitura dos diálogos abaixo de lado antes de ir até a locadora.


Sabe, você percebe que a maioria
das pessoas que você encontra
está tentando conseguir
alguma coisa melhor,

sabe, eles estão tentando
fazer um pouco mais de dinheiro,
tentando conseguir um pouco mais de respeito,
ter mais pessoas que as admirem, sabe,
é simplesmente exaustivo!

Sabe, é exaustivo ser você
mesma uma dessas pessoas.

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Eu acho que uma lembrança
nunca é terminada.

Desde que você esteja vivo...
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Quando eu era uma menininha, minha mãe me contou
que eu estava sempre atrasada para a escola.
Um dia ela me seguiu
para ver o porque...
eu estava olhando as
castanhas caindo das árvores,
rolando na calçada, ou...
formigas, cruzando a estrada...
o modo como uma folha modela a
sombra no tronco de uma árvore...
Pequenas coisas.

Acho que é o mesmo com as pessoas.

Eu os vejo em pequenos detalhes,
tão específicos para os outros,
que me movem, e que eu sinto falta, e...
vou sempre sentir falta.

Você nunca pode repôr ninguém,
porque todos são feitos de tais
detalhes de específica beleza.

Como eu me lembro o modo...
que sua barba tem um pouco de vermelho.
E como o sol estava fazendo
ela brilhar aquela...
aquela manhã, logo antes de você sair.

Eu me lembro disso, e ...
Eu senti falta disso!

****************

Você acha que nós ainda somos?
Eu acho que quando nós somos
jovens...você apenas acredita...
que existirão tantas pessoas
com as quais você se conectará.
Só mais tarde na vida você percebe
que isso somente acontece poucas vezes.
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Mas estou, eu me sinto como
se alguém me tocasse, sabe,
eu me dissolveria em moléculas.

domingo, janeiro 21, 2007

At least


Finalmente um texto neste blog já abandonado.
Na realidade, o fato de não ver sentido nisso não era papo. Era fato.
Hoje, abastecida por mais de uma dúzia da boa e velha combinação do malte plus lúpulo plus whatever sinto-me à vontade para escrever aqui.
Não que não tenha tido idéias. A cabeça anda tão fervilhante quanto outrora. Faltava-me, talvez, inspiração ou força de vontade. Tenho deixado a preguiça me vencer e até por ela mesma tenho tido coragem para dizer isso. É mais fácil assumi-la que criar justificativas para tamanho desapego.
Mas vá lá: com tanta coisa boa para fazer, por que você me visita aqui?
Que venha ao vivo, com cores, cheiros, texturas e sabores.

E que venha o restante da porra de 2007 (perdoem-me os mais eclesiásticos). Porque no final, todo ano é igual ao outro. Por mais pessimista ou paciente que seja essa idéia.

Espero, como milhões de brasileiros, o Carnaval. No meu caso, e aí a dezena é dos milhares, em São Luiz do Paraitinga (SP).

quinta-feira, novembro 23, 2006

Malditas palavras, parte 2



Taí: paciência é uma outra palavra que me persegue. Menos pela grafia, mais pelo conteúdo encerrado.
Sou impaciente e sempre fui. Até aí tudo bem. Quer dizer; tudo bem até os 18 anos, quando nos resta a impaciência do ‘pós’ graduação.

Aos 20 eu era impaciente quanto ao meu futuro profissional após os quatro anos na faculdade de Jornalismo. Resolvi o problema refugiando-me durante 32 dias –e noites, principalmente elas—, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Voltei com um bronzeado lindo, quatro quilos a menos. Para contar, dias de caminhada à beira-mar, muitas braçadas nas águas do Tenório, vários luais na praia Vermelha (situações bizarras como a vez em que sacaneamos argentinos, obrigando-os a participar de um ritual ‘tipicamente brasileiro’ com chinelos havaianas –pura invenção, é claro), duas novas amigas hoje eternizadas e um amor de praia para, eventualmente, lembrar.

Aos 29, a impaciência tem sido menos poética ou libertária. Não dá mais para ‘fugir de casa’ com vistas a um bronzeado atraente. Nem pegar o carro e dirigir 500 quilômetros. É preciso controlá-la para evitar novas somatizações. Esse é meu desafio.

Eu só sei que quero minha vida de volta. E pensar que tudo começou em janeiro de 2005, quando o ombro pediu socorro. Com ele curado, corro em busca de uma saída. É preciso provar a sanidade das articulações à Justiça. Lidar com frustações (gerada, grande parte, pelos efeitos colaterais da ansiedade, a mesma que me afasta da paciência).

Preciso esperar o barco navegar. Ainda que distante do azul das águas do Tenório.

DNA: qual a relação entre James Blunt, Manoel Carlos e É o Tchan?



Ah, sempre os Malvados.

www.malvados.com.br

domingo, novembro 19, 2006

Exceto por vocês



Há erros imperdoáveis. Imagine começar uma frase como esta sem o H. Considero-me até dona de um bom português e sofro ao ouvir certas discordâncias gramaticais ou meramente gráficas. Tomo mundo erra, é fato. O problema é quando a língua atua como matéria-prima para o trabalho. Não dá para não sofrer ao ouvir um certo 'mortandela', 'estrupo' ou coisa parecida e tipicamente paulistana. Pior que isso, só quando a a gafe é cometida por alguém cuja função reside em justamente caçar erros alheios. Essa pessoa sou eu, dona de um grande trauma gerado pela palavra excessão --assim mesmo, com dois 'esses'.

Eu ainda era foca* quando o fato ocorreu. Trabalhava em um jornal pequeno na minha cidade e havia sido 'promovida' a função de editora. Foi quando deixei passar um baita EXCESSÃO no título de um abre de página*. E eu nunca mais --digo, nunca mais, consegui me lembrar da grafia correta da palavra. Juro ter sido por distração (até o momento eu não tinha dúvidas sobre o uso do cê cedilha em lugar dos dois esses).

Ficou um trauma a ponto de, anos mais tarde, escrever a grafia correta no meu monitor quando o erro já não era mais perdoável. EXCEÇÃO, ato de excetuar! EXCESSÃO? Epa! Socorro! Alguém se exedeu!

Mas os dois esses continuaram a me perseguir, da mesma maneira que a pronúncia de 'wednesday' nas aulas de inglês do falecido JEP (Junior English Program) do Yázigi, a long, long time ago. Eu fugia do 'wednesday' de tal maneira que preferia construir uma longa sentença só para evitar a pronúncia da palavra amaldiçoada (deve ser alguma relação mística com a Família Addams!). Era 'the day during the week between tuesday and thursday'. Or whatever!

Fantasmas gráficos e desvios semânticos, vou me excedendo sem fim. Exceto às quartas-feiras (com crase ou sem?).

;-)

sexta-feira, setembro 29, 2006

Quando é hora de recuar



Tem coisas pelas quais vale a pena lutar, correr atrás, perseguir indubitavelmente. Justiça, respeito, ética, melhores condições de vida –para si próprio e para os outros— e trabalho são algumas delas.

Em geral, somos incitados a perseguir nossos objetivos desde criança. Não desistir da escola, do curso de línguas, das aulas de ginástica, judô, natação, dos horários do antibiótico, do tratamento homeopático e por aí vai.
Eu sempre fui criada assim e sempre tive metas. Aos oito anos de idade, decidi que seria jornalista –lembro-me do dia e da sensação. Eu estava na área de casa sentada com minha cachorra, Teka. Foi absolutamente claro pra mim como seria a vida. Eu deveria estudar e nunca desistir. Treze anos depois, eu tinha o meu diploma.

Houve outras coisas pelas quais eu insisti quando deveria ter deixado para trás. E hoje aprendi que aprender a administrar frustações –e isso inclui assumir a condição de derrota, em alguns momentos— importa tanto quanto comemorar vitórias.

Não dá para sofrer quando alguém não quer te ver mais. Quando aquele(a) amigo(a) querido(a) não liga mais. Quando se manda um telegrama urgente com pedido de resposta que nunca chegará. Não vale a pena insistir em um trabalho impossível. Em um amor invariavelmente (porque às vezes é possível conquistá-lo, sim) unilateral.

Contrariando todos os livros de auto-ajuda, é preciso saber a hora de voltar ou de ir embora. E isso não é derrota, meus amigos. É sabedoria.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Desse jeito perderei os leitores!



A vida está corrida. Obrigações mil inseridas em um histórico do 'tempo é leitura e produção' ou ainda 'tempo é cuidado maternal', adaptando o tradicional 'tempo é dinheiro'.

Anteontem, o anúncio: 18 livros pra ler até o dia 7 de novembro. Esforço necessário para quem quer (e precisa urgentemente) 'mudar' de profissão.

O relógio corre e eu preciso ir por ainda mais por um tempo. A cabeça está cheia de inspirações semeadas pelas leituras/vivências como a da última quarta-feira, quando a marginal do rio Pinheiros --escuro e entulhado-- encarnava a resistência dos espetáculos naturais muitas vezes raro nas metrópolis.

Em meio a tudo isso, a preocupação inevitável com as escolhas políticas e a necessidade de olhar o mundo com os olhos fixos naqueles que realmente não têm supridas as condições mínimas de existência. Decido em quem votar pra presidente, escolha lógica pra mim (apesar da decepção) e resta a dúvida quanto ao deputado federal (tenho três na lista). O restante já está decidido. Na política e no rumo da vida.

É esperar e torcer.


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Enquanto isso...

Vale a pena ver: V de Vingança. E ler os quadrinhos. Amigo Douglas tinha, emprestou e alguém nunca mais devolveu, pro meu ódio mortal.

Vale a pena ter: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (DVD e trilha sonora)

Vale a pena navegar: http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/eleicoes/candidatos-deputado_federal-sp-a.shtml
(para paulistanos em dúvida do candidato a senador e deputado federal)

Vale a pena votar: no Suplicy!

Vale a pena ver/ouvir: www.mackzero5.com.br. Amiga Denise fez o site, que é lindo, e o marido dela fez as músicas, que soam graaaaaaaaaaaaaaaaaande!

Vale a pena ler: Cultura do novo capitalismo, de Richard Sennett (está fresquinho, publicado neste ano no Brasil).

Vale a pena escutar: quando dizem pra você levar o dinheiro na viagem e não contar só com o cartão do banco pra sacar e voltar. Especialmente se o seu cartão do convênio médico for da mesma cor do seu cartão de crédito.