quarta-feira, abril 01, 2009

No meio do caminho, tinha uma pedra.



‘A pedra arde’ é meu livro infantil favorito. Escrito por Eduardo Galeano (o mesmo escritor uruguaio de ‘As veias abertas da América Latina’) e ilustrado por Luis de Horna, o livro conta a história de um menino que descobre uma pedra mágica e leva até ela um velhinho responsável por ajudá-lo durante uma situação difícil.

Achei o livro por acaso, no sebo Alfarrábios, em São José dos Campos (no mesmo dia em que paguei um micão com o dr. Data Venia, mas isso é outra história). Foi antes do meu filho aprender a ler, em agosto de 2005, quando o pequeno Henrique tinha quatro anos de idade e ainda não era fã de gibis, de Star Wars ou da música Garota de Ipanema.

Talvez essa coisa de gostar do livro e desse título –A pedra arde— tenham influenciado meu subconsciente a transformar uma pedra em uma espécie de amuleto mágico. Foi há duas semanas, quando comecei a carregar uma pedrinha na bolsa.

Era madrugada e eu já havia caminhado uns cinco quilômetros até então por uma estrada vicinal e sem iluminação da qual não sei o nome, numa cidade que mal conheço, quando tenho um semi-rompante de raiva. Na verdade, raiva não é palavra apropriada. Era mais uma sensação daquelas do tipo “que-estou-fazendo-aqui-quando-poderia-estar-em-casa-dormindo?” quando um carro passa por mim e o facho de luz dos faróis ilumina o breu e mostra-me o chão irregular. Sobre ele, várias pedrinhas.

Naquele momento, penso em pegar alguma e atirar uns 20 metros à frente. O pensamento voou para longe mais rápido que mensagem subliminar em frame de “O Clube da Luta”. Nem que eu tivesse um alvo, conseguiria acertar naquela escuridão e, além do mais, não sou do tipo que joga pedras ao Deus-dará e tampouco em qualquer pessoa.

Mas a pedrinha ficou na minha mão e acomodada ali serviu-me como um acalento. A pedra materializou um sentimento que não necessariamente é negativo: talvez fosse como a caneta nas mãos de um orador tímido. A pedrinha, simpática (e já humanizada, a essa hora), virou um símbolo de “sim, estamos todos sós”. E, por mais estranho que possa soar, a tal pedrinha virou uma companheira constante, um tipo de amuleto para me dar força em momentos difícieis. Mesmo sem ser oval (e famosa) como a bola de Tom Hanks em ‘Náufrago’, ela tornou-se a minha ‘Wiiiiiilsoooooon’.

Agora, na minha fantasquice, agradeço às forças do Cosmos que me mandaram a pedrinha. E ela estava lá, bem no meio do meu caminho.

6 comentários:

Camis disse...

ótima técnica!
acho que pra jogar na cabeça do palhaço, você precisaria de uma maior!
mas de repente ainda dá pra fazer um pingente com ela, rs...

Gabs disse...

Pessoas loucas nesse mundo... Muitas e várias!

Adauto disse...

"Doutor Data Vênia"?

Tãotáintão...

:)

Stela Guimarães disse...

O doutor não se recorda, mas foi quando travamos o seguinte diálogo:
- Oi, é que eu pesquiso genealogia.
E eu, totalmente Mutantes (Ando meio desligado), respondi algo como: -Ah, sim, genonomia...
rs

Stela Guimarães disse...

Respondendo a Gabi: loucas as outras, menos nós. Pelo menos nunca seguimos ninguém na rua, nem mandamos fotos trajando roupa de baixo pro cara da tevê!

Weird fishes. =)

Maristela disse...

Stela Linda! São tantas pedras no caminho:depois da famosa do Drummond e da Filosofal do Potter, acho que a sua arrasou e serviu de lição pra todas nós! Amo seus textos!
Beijo no coração!